ANDRÉ GUSTAVO STUMPF — jornalista
As duas bombas atômicas que os Estados Unidos jogaram sobre Hiroxima e Nagazaki, no Japão, em 1945, acabaram com a Segunda Guerra Mundial, na sua fase asiática. Mas também serviram para avisar à União Soviética do poder devastador de suas forças armadas. Os russos explodiram sua bomba em 1949 e devolveram o aviso. Agora, a inesperada ação militar combinada de Estados Unidos e Israel contra o Irã tem por objetivo defender a nação judia e avisar a China que o país está cercado por eficientes equipamentos de ataque. É a advertência de que a guerra continua e o Império do Meio enfrenta concorrentes poderosos.
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Os Estados Unidos detêm a liderança da economia mundial segundo a medição do Produto Interno Bruto. São US$ 33 trilhões contra US$ 22 trilhões da China. Os dois maiores são seguidos, nesta ordem, por Japão, Alemanha e Índia, que, nos próximos anos, deverá chegar ao terceiro lugar entre as maiores economias do mundo. O desempenho do Brasil é decepcionante. Cresceu 2,3% no último ano e desceu para o décimo primeiro entre as maiores economias do planeta. Já foi o sexto maior. Agora, está atrás de Canadá, Rússia e até da Itália. Desempenho muito fraco para quem pretende ter diplomacia influente.
O desenvolvimento econômico espetacular da China assustou o mundo e, particularmente, os norte-americanos. Eles já foram vencidos em várias áreas da alta tecnologia. No campo da inteligência artificial (IA), os chineses estão longe. A China transformou-se numa fábrica do mundo. Há produto chinês em quase tudo que o consumidor utiliza aqui, nos Estados Unidos e nos países europeus. O governo de Washington assiste a tudo isso com muita preocupação. Sua liderança está ameaçada. Enquanto as forças armadas norte-americanas massacravam o povo no Iraque durante nove anos, os chineses avançavam sobre os mercados de todo o mundo.
Mas há um detalhe que explica a liderança dos Estados Unidos. É seu formidável poder bélico, sem paralelo no mundo. É um país que vive em guerra. Seu dispositivo militar determina a política externa e provoca conflitos que, para eles, são rentáveis. Seja pela venda contínua de novos equipamentos, seja pela obrigação de persistir nas pesquisas para aprimorar as máquinas de matar e de dominar áreas rentáveis, como são os campos de petróleo na Venezuela, no Iraque e no Irã.
Não há objetivo estratégico na guerra contra a antiga Pérsia. Existe a preocupação de defender Israel e tomar os apetitosos campos de petróleo daquele país. Foi o que os ingleses fizeram em 1953, quando o primeiro-ministro Mohammad Mossadegh nacionalizou a empresa de petróleo Anglo-Iranian Oil Company. Um golpe militar derrubou o regime e colocou no poder o Xá da Pérsia, Reza Pahlevi, que entregou o ouro negro aos ocidentais e deu início, com apoio de Washington, ao programa de enriquecimento de urânio, agora contestado pelos próprios norte-americanos.
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O governo dos Estados Unidos mantém 750 bases militares fora do seu território continental, com presença em 80 países e territórios. Algumas instalações são pequenas (estações de radar, depósitos, centros logísticos), outras são temporárias ou secretas. Eles possuem bases militares no Japão, com 50 mil militares, baseados em Okinawa. Na Alemanha, onde funciona importante centro de logística com 35 mil militares. Na defesa da Coreia do Sul, contra o inimigo do norte, com 28 mil militares. Em Itália, Reino Unido, Espanha, Portugal (base de Lajes nos Açores). No Oriente Médio, em Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Turquia. Além dessas, nas Filipinas e na Austrália.
O governo dos Estados Unidos mantém cerca de 1,3 milhão de militares na atividade. A reserva e a Guarda Nacional adicionam outros 800 mil militares. O total combinado indica 2,1 milhões de homens e mulheres preparados para a guerra. No exterior ficam, de maneira permanente, 177 mil militares. A comparação entre quantidades de militares das grandes potências resulta no seguinte: Estados Unidos, 2,1 milhões (total mobilizável); China, 2 milhões; Índia, 1,4 milhão; e Rússia, 1 milhão na ativa. O Orçamento de Defesa aprovado para 2026 é de US$ 901 bilhões. O planejamento indica que, em 2027, as verbas para gastos militares dos Estados Unidos deverão alcançar US$ 1,5 trilhão.
Há dinheiro suficiente para manter a máquina de matar funcionando. A morte de militares e civis é evento colateral desimportante diante do gigantismo dessa operação. O que importa é o lucro final. É ilusão imaginar que o presidente brasileiro poderá ter algum ganho na sua relação com o bronzeado chefe de governo em Washington. Sorte do Brasil que, além de pobre, é apenas um razoável produtor de petróleo.
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