Carlo Ancelotti fará nesta segunda-feira a penúltima convocação do Brasil antes do anúncio da lista final dos 26 eleitos, em 16 de maio. Pela primeira vez, o técnico é o protagonista da Seleção. Não ostentamos um Mbappé, Cristiano Ronaldo, muito menos um Messi. Nem a camisa encanta. Não gostei do modelo azul. Sou torcedor do Chicago Bulls, fã do Michael Jordan, mas seria muito mais simpático com o país do futebol o icônico soco no ar do Rei do futebol em vez do salto do Pelé do basquete. É o logo, business, entendo. Mais um escárnio ao uniforme, que também é usurpado na polarização política.
A imprensa internacional sabe que o Brasil tem Vinicius Junior, Raphinha, Estêvão, Endrick, talvez Neymar, mas não sejamos negacionistas: a nossa fé está depositada no técnico campeão nas cinco principais ligas da Europa — Alemão, Espanhol, Francês, Inglês e Italiano. Recordista de títulos da Champions League com cinco orelhudas no currículo: duas no Milan e outras três no Real Madrid. Ele é o cara.
A questão é a demanda de milagres sobre o ombro de Ancelotti. Para mim, o Brasil titular do Carletto (não o meu), hoje, no 4-2-4, é: Alisson; Éder Militão, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro e Bruno Guimarães; Estêvão, Raphinha, Matheus Cunha e Vinicius Junior. Descartei Rodrygo. Infelizmente, ele se lesionou. Perda enorme! Foi operado. Vai esperar até a Copa de 2030 para curar a dor causada pelo pênalti perdido contra a Croácia nas quartas de 2022. O jovem terá 29 anos na edição centenária.
Se Rodrygo fosse o único problema... O goleiro Alisson lida com muitas contusões. Éder Militão sofreu ruptura no músculo bíceps femoral da perna esquerda. A estimativa do retorno é abril. Bruno Guimarães se recupera de uma lesão muscular de grau 3 na coxa esquerda. O meia do Newcastle tornou-se uma espécie de camisa 10 postiço no meio de campo do italiano.
Estêvão virou xodó do Ancelotti, porém é outro paciente do departamento médico. O Chelsea decidiu não relacioná-lo na partida de ida contra o Paris Saint-Germain pelas oitavas da Champions League. O diagnóstico é lesão muscular. Raphinha não vive a temporada mais saudável da carreira. Sofreu pelo menos três lesões musculares. Meteu atestado em 13 jogos do Barcelona. Tem jogado inseguro. Não é o mesmo da temporada passada.
Como se não bastasse a falta de laterais, os disponíveis no exterior estão machucados: o destro Vanderson e o canhoto Caio Henrique, ambos do Monaco. Na defesa, o zagueiro Alex Ribeiro é refém do DM. Há outros jogadores de vidro. Ancelotti gosta de Danilo e Alex Sandro. Os dois com prontuários de contusões, inclusive durante a Copa. Nem falei do Neymar...
A Copa demandará excelência física, técnica e tática. Estive nos Estados Unidos na cobertura da Copa de Clubes da Fifa e testemunhei o sacrifício hercúleo para entregar performance. Logo, Ancelotti está diante da escolha de Sofia: montar colcha de retalhos, Seleção de vidro ou cumprir o pré-requisito estabelecido na convocação de agosto do ano passado, ou seja "estar 100%"? A ver...
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