
O sobrenome sempre teve peso na política, na medicina, na advocacia e em outros tantos setores. Funciona como uma espécie de "abra-te, sésamo", o mantra mágico do conto Ali Babá e os Quarenta Ladrões na obra Mil e Uma Noites, usado para abrir a porta de uma caverna escondida. A expressão sésamo tem origem na planta gergelim, cujo fruto se abre ao amadurecer. Simboliza um segredo ou um comando que libera acesso a um tesouro. O apelido da família tem funcionado como se fosse um Face ID no futebol.
Quem assumiu o Vasco interinamente depois da demissão do técnico Fernando Diniz? Lazaroni. Não o Sebastião, comandante da Seleção na Copa do Mundo de 1990, na Itália, quando o Brasil caiu pela última vez nas oitavas de final na eliminação contra a Argentina, gol de Claudio Caniggia. A prancheta caiu no colo do filho dele, o Bruno Lazaroni, membro da comissão técnica permanente.
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O Botafogo apostou na grife Ancelotti. Em julho do ano passado, contratou Davide, filho do Carlo, comandante da Seleção, campeão alemão, espanhol, francês, inglês, italiano e recordista de títulos na Champions League com cinco orelhudas no currículo. Tal pai, tal filho? Não! O herdeiro durou cinco meses no cargo. A primeira experiência na profissão durou 32 jogos: 14 vitórias, 11 empates e 7 derrotas.
O Bachi famoso é o Adenor Leonardo, o popular Tite, técnico da Seleção na Copa em 2018 e 2022 e campeão da Libertadores e do Mundial pelo Corinthians. Mas vimos o filho Matheus ensandecido à beira do campo com o uniforme do Cruzeiro, passando por cima das ordens do pai em um constrangedor desrespeito hierárquico. Assim como Carlo Ancelotti, Tite tenta abrir as portas do mercado a quem considera sucessor.
Silvestre é outro sobrenome pesado no futebol. Lucas trabalha com o pai, Dorival. Acumula milhas para descolar do famoso da família e seguir carreira solo. Antes, o Corinthians viu passar pelo cargo um membro do badalado clã Díaz. Emiliano mandava mais do que Ramón — técnico campeão da Libertadores em 1996 pelo River Plate. Foi assim também no Botafogo, no Vasco e no Internacional.
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O Vitória ostenta um Ventura. Jair é filho de Jairzinho, o Furacão do tricampeonato do Brasil na Copa de 1970. Em entrevista ao Correio, publicada em 27 de fevereiro, o autor de seis gols em sete jogos em um Mundial deixou claro que não tem influência na carreira da cria. "Eu não o ajudei. Ele estabeleceu critérios. Endossei por ele ser uma pessoa muito inteligente, capaz e audaciosa. Está caminhando a passos largos para o sucesso", projeta.
Sobrenome não é problema. A questão é quando ele pesa mais do que a competência — e cega dirigentes dispostos a confundir pedigree com talento. Johann Cruyff foi um senhor jogador e técnico. Jordi, não! Mas a grife lhe deu oportunidade até na seleção do Equador. Renê não teve o mesmo sucesso do mestre Telê Santana.
Os clubes precisam ser mais seletos, ficar atentos a quem realmente tem talento ou está apenas pegando carona na barra da calça do pai sob pena de jogar dinheiro fora.
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