ARTIGO

Acordo UE/Mercosul: uma parceria com oportunidades para o Distrito Federal

Acordo permitirá uma participação mais ampla de empresas europeias em licitações locais, ampliando a concorrência, promovendo maior eficiência no uso de recursos públicos e contribuindo para a redução de custos e entraves burocráticos

Opinião 3004  -  (crédito: Caio Gomez/CB/DA.Press)
Opinião 3004 - (crédito: Caio Gomez/CB/DA.Press)

Marian Schuegrafembaixadora da União Europeia no Brasil

A implementação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) marca um momento histórico nas relações entre as duas regiões e abre novas perspectivas para o Brasil. Seus efeitos vão além do comércio exterior tradicional e se fazem sentir também em economias locais, como a do Distrito Federal.

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Para além dos fluxos comerciais diretos — ainda modestos no caso do DF —, o acordo traz ganhos concretos por meio da abertura dos mercados de compras públicas, que passam a abranger também o nível subnacional. 

Na prática, isso permitirá uma participação mais ampla de empresas europeias em licitações locais, ampliando a concorrência, promovendo maior eficiência no uso de recursos públicos e contribuindo para a redução de custos e entraves burocráticos. Ao introduzir regras mais transparentes e previsíveis, alinhadas a padrões internacionais, o acordo tende a qualificar o ambiente de contratação pública no Distrito Federal, com impactos positivos na qualidade dos serviços prestados à população.

O acordo de parceria entre o Mercosul e a União Europeia beneficiará ambas as partes, dando aos produtos brasileiros acesso preferencial a um mercado de mais de 450 milhões de consumidores. Hoje, a UE já é o segundo parceiro comercial do Brasil. Diferentemente de outros destinos relevantes, uma parte importante das exportações brasileiras para a UE é composta por bens industriais, como aeronaves sofisticadas, o que evidencia o potencial de agregação de valor.

Nosso acordo abrirá novas oportunidades de forma gradual, permitindo que a indústria brasileira se modernize, cresça e se torne ainda mais competitiva. Os benefícios dessa maior competitividade serão sentidos em todo o país, tanto no acesso a novos mercados quanto, internamente, por meio de preços mais baixos, melhores produtos e salários mais elevados.

Trata-se do maior acordo comercial já negociado pelos países do Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — e de um instrumento com potencial transformador, capaz de facilitar a inserção global do Brasil em um contexto internacional cada vez mais desafiador.

O acordo também traz previsibilidade, com regras claras e estáveis que reduzem custos e incertezas. Pequenas e médias empresas ganham melhores condições para acessar novos mercados. Ao mesmo tempo, promove padrões elevados de transparência e boas práticas regulatórias, contribuindo para um ambiente de negócios mais eficiente.

Na maioria das compras públicas, o acordo amplia a concorrência, reduzindo custos para as administrações e os contribuintes — um elemento especialmente relevante em economias em que o gasto público tem papel central.

A União Europeia continua sendo o principal investidor estrangeiro no Brasil, gerando empregos de qualidade em setores de alto valor agregado e contribuindo para o crescimento sustentável. Empresas europeias já desempenham papel relevante na transição energética verde do país, e o acordo tende a ampliar esse movimento.

O investimento pode crescer ainda mais, apoiando o Brasil em seus objetivos de reindustrialização, redução da pobreza e promoção de cadeias produtivas sustentáveis, ao mesmo tempo em que fortalece a cooperação em áreas estratégicas como energia, tecnologia e infraestrutura.

Está em preparação, em conjunto com o Mercosul, um instrumento de cooperação que poderá alcançar R$ 10,8 bilhões destinados a pôr em prática o acordo e a dar apoio específico a comunidades locais, à agricultura familiar e a segmentos produtivos mais vulneráveis.

Longe de encerrar um processo, esse acordo assinala o início de uma nova fase na relação entre as duas regiões. Mais do que um marco comercial, o acordo representa uma escolha estratégica por integração, previsibilidade e cooperação.

Em um cenário global marcado por incertezas, ele reforça o compromisso com o multilateralismo, com o desenvolvimento sustentável e com uma parceria cada vez mais sólida entre o Brasil e a União Europeia.

 

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Por Opinião
postado em 30/04/2026 06:00
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