Artigo

Dona do teatro

Tive o privilégio de assistir àquele recital da única atriz do mundo a entrar para o Guinness Book, por reunir um público de 10 mil pessoas em leitura dramatizada

Imortal da Academia Brasileira de Letras, maior nome das artes cênicas do país, Fernanda Montenegro, aos 96 anos, vive mais um momento de glória em sua exitosa carreira. Na estreia da leitura dramatizada Por ele mesmo,  de Nelson Rodrigues, no último dia 2, na sala de espetáculo do  Copacabana Palace, tomou conhecimento que  passaria a ter o nome dela instalado na fachada do teatro do centenário hotel da Zona Sul do Rio de Janeiro. Foi ali que, em 1950, ela fez sua estreia.

Tive o privilégio de assistir àquele recital da única atriz do mundo a entrar para o Guinness Book, por reunir um público de 10 mil pessoas em leitura dramatizada. Obviamente, fiquei fascinado com a performance dessa icônica figura da cultura do país.

Antes, em entrevista à Ela, revista dominical de O Globo, a veterana atriz salientou: "Você, toda hora, é chamada a se provar e se comprovar. E isso tudo, na minha cabeça, é teatro. Cada um de nós aqui é personagem. Já me sinto com 100 anos. Há mais coisa entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia", observou,  citando Shakespeare.

Em outro momento da fala, ela afirmou: "Temos que ser sobreviventes. Todo dia é um desafio. Quando penso nos meus decênios, vejo que tudo mudou.Tive a honra de ter uma vida que muitos me amam. Mas há uns que acham que não somos nada. A esses não agradeço".

Também compartilhou a vivência com os filhos: "Quando os filhos escolhem a mesma profissão dos pais, eles nos perdoam das ausências que ela provocou. Nos eximem de boa parte da culpa. Isso é redentor para uma mãe que não pode ir à apresentação da escola, não acompanhou o dever de casa e sequer passou o fim de semana com eles".

São muitas as ligações de Dona Fernanda e o teatro que passa a ter o seu nome. A primeira foi em dezembro de 1950, com a peça Alegres canções das montanhas, na qual dividia a cena com Beatriz Segall e Nicette Bruno. No final da semana passada ela  fez a  leitura de trechos de Cerimônia do adeus, da escritora francesa Simone de Beauvoir.

 

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