Amo basquete e futebol, meus esportes preferidos. Porém, uma intersecção dessas duas modalidades tem me causado incômodo. Estão trocando os pés pelas mãos em um movimento para dividir 90 minutos de bola rolando em quatro quartos. A Copa de 2026, no Canadá, nos Estados Unidos e no México, pode ser o marco dessa transformação. Ligas norte-americanas como a NBA, NFL, MLB e NHL amam intervalos. O mercado publicitário nem se fala! Sente o cheiro de dinheiro.
A paralisação do jogo nos é vendida como "pausa para hidratação". Quem sou eu para dizer que não é necessária! Jogadores e técnicos, sim, têm lugar de fala. A minha crítica é quanto ao oportunismo. A preocupação é mesmo com a saúde, a integridade física dos jogadores; ou a indústria do futebol usará a Copa em uma temperatura extrema no verão da América do Norte para convencer o fã do futebol de que o intervalo de três minutos tem que fazer parte do jogo independentemente do termômetro em troca de espaço publicitário?
Em novembro de 2012, publiquei uma matéria no Correio sobre a pausa para hidratação na Copa de 2014 em um Brasil de dimensões continentais, com jogos no inverno rigoroso de São Paulo, Porto Alegre e Curitiba; e calor extremo em Salvador, Fortaleza, Natal e Manaus. À época, a entidade máxima do futebol respondeu às minhas perguntas assim: "Foram aprovados (em 30/3/2012) intervalos para hidratação em jogos de competições da Fifa em condições quentes e úmidas acima de 31/32°C". Chamo atenção para o detalhe de uma temperatura preestabelecida.
A Fifa acrescentou na resposta: "Mesmo antes da aprovação oficial pelo Comitê Executivo da Fifa, o intervalo para hidratação era uma prática adotada em todos os jogos quando a temperatura excedia os limites ideais para o corpo humano. A equipe médica da Fifa sempre monitora cuidadosamente todas as cidades durante qualquer competição da Fifa, com o objetivo de proteger a saúde dos jogadores. Se necessário e, como consta nos regulamentos da Fifa, o médico responsável pelo jogo e o comissário da partida podem pedir pausas para hidratação". Corretíssimo!
A resposta da Fifa aos meus questionamentos acrescentou à época da reportagem. "O critério principal da equipe médica é baseado no Wet Bulb Globe Temperature (WBGT) e não somente na média geral de temperaturas. O WBGT é uma temperatura usada internacionalmente para estimar os efeitos da temperatura, umidade, velocidade do vento (sensação térmica) e radiação solar em humanos."
A questão é que a pausa passou a ignorar o termômetro. Saiu do campo do "se necessário". Virou moda independentemente do clima e divide opiniões. O técnico de Portugal, Roberto Martínez, acha que isso "vai mudar o jogo". Rudi Garcia, da Bélgica, agradece. Mauricio Pochettino, dos EUA, odeia. Didier Deschamps resume o meu pensamento: "É bom para quem transmite, você tem o comercial". Os jogos da Copa serão paralisados aos 22 minutos de cada tempo. A Fifa permitirá anúncios. A basquetização do futebol tem pressa.
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