
Por Luís Jorge Natal, jornalista*
Há cerca de um ano, me telefonou o Rubens. Disse que me encontrou por intermédio de antigos amigos de adolescência e infância. Estava criando e montando o acervo do basquete de Brasília. E me mandou uma foto do time infantil do Clube de Vizinhança número 1. Aquele que fica entre as quadras 108 e 109 Sul. Na foto, aparece logo de cara um garoto magricelo e muito alto, destacando-se dos demais. O ano, se a velha memória não me falha, era 1972. O time foi campeão brasiliense, no que era uma disputa de 10 partidas contra o Minas Tênis Clube.
Os técnicos, duas referências no esporte da nova capital: do lado do Minas, o Seu Pedro. No Vizinhança, o Zezão, que foi responsável pelo início da formação do Oscar. A foto me trouxe boas recordações de uma Brasília em crescimento. Oscar jogou também o campeonato estudantil pelo colégio Dom Bosco. Os rivais eram o Caseb, Setor Leste, CAN e o Marista. Em 1973, o colégio Salesiano foi campeão liderado pelo Oscar, que ainda não era o Mão Santa. Vale destacar que, para ganhar esse título, foi fundamental a aplicação e a ajuda de colega de basquete um pouco mais velho: o Laurindo Miúra. Que, com a paciência ancestral, ajudou o desengonçado adolescente a ter uma ótima coordenação motora, utilizando técnicas específicas.
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O garoto cresceu e foi para São Paulo, onde se jogava o melhor basquete do país. Depois, ganhou o mundo. Mas nunca saiu completamente de Brasília. Seus pais continuaram a morar aqui. Ficaram por aqui também seus inúmeros amigos dos treinos e peladas de basquete. Conheci Oscar também por sermos da mesma cidade natal, onde o nome é também uma coincidência. A mãe dele era conhecida da minha. E trocaram informações sobre a nova cidade quando aqui chegaram.
Todos da comunidade basqueteira das décadas de 60/70 jogamos com o Oscar. Nem todos podem provar. Fiquei muito triste com a notícia da morte, mas as lendas não morrem, alguém já disse isso. A última vez que estive com o Mão Santa foi no aeroporto, aqui mesmo em Brasília. Tinha muitos anos que não o encontrava pessoalmente. Receoso, me aproximei e fui me identificar. Ele não deixou e, com voz que parecia um trovão, mandou ver: "Não lasca, Natal. Claro que lembro de você". Pronto, já posso dizer que joguei com Oscar sem parecer mentiroso.
Vai, conterrâneo, bater bola com outras lendas.
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