ARTIGO

Cine Buarqueano

Além de sua preciosa contribuição para nosso cancioneiro, Chico Buarque tem se destacado na área das artes cênicas

Nome exponencial da cultura brasileira, artista da geração de ouro da MPB, com atitude e posicionamento progressista no espectro da cultura do país, Chico Buarque de Hollanda é quase uma unanimidade nacional. Além de sua preciosa contribuição para nosso cancioneiro, tem se destacado na área das artes cênicas — tanto no âmbito do teatro quanto do cinema.

Portanto, é mais que justificável a criação de um site-livro, sob a responsabilidade do crítico Carlos Alberto Mattos, que tem como atribuição analisar e armazenar músicas, documentários e filmes, parte do legado desse intelectual, de grande representatividade, como protagonista.

Historicamente, o processo buarqueano teve início em 2024, quando Mattos leu Cine Subaé, livro lançado pela editora Companhia das Letras, que reúne textos de Caetano Veloso sobre cinema que traziam algo semelhante ao focalizar um dos seus ídolos: Chico Buarque.

Tudo começou quando o crítico não encontrou nada parecido, decidiu  criar o site-livro intitulado Chico Buarque — Ele faz cinema (wwwchico-cinema.com), que realiza levantamento sobre as diversas relações entre a obra do cantor e compositor e escritor paulistano-carioca e a arte cinematográfica.

Em entrevista recente a O Globo, Mattos destacou: "Construí o site ao longo de um ano e meio de pesquisa, em que reli tudo do Chico", destacou. "É um trabalho de fã, em que  analisei suas músicas nos filmes e documentários, as adaptações de seus livros e peças para as telas; enfim, o cinema em sua vida — inclusive, eventualmente, como ator", acrescentou.      

Faz sentido. A trajetória de Chico teve início na primeira edição do Festival da Record, em 1966. Sem disfarçar a timidez, ele venceu o certame ao interpretar A banda, de sua autoria, que o levou a ser conhecido e reconhecido nacionalmente. "Estava à toa na vida/ O meu amor me chamou/Pra ver a banda passar/ Cantando coisas de amor...", diz no verso de abertura da marchinha.

Dois anos depois, já mais solto, estava no elenco de Retrato em branco e preto, produção para cinema da qual, pela primeira vez,  tomou parte. 

Mas ele viria a chamar atenção, enquanto ator, em Quando o carnaval chegar, filme dirigido por Cacá Diegues, ao contracenar com Maria Bethânia e a saudosa Nara Leão.

Para o teatro, Chico Buarque escreveu as peças Ópera do malandro (1968), Gota d'água (1975) e Grande circo místico (2021); e ainda lançou os livros Calabar, Fazenda modelo, Estorvo, Benjamim, Budapeste e Irmão Alemão, entre 1995 e 2019. Como se observa, o talento de Chico se espalha por diferentes setores da cultura do país.

 

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