ARTIGO

Anexar a Venezuela?

Donald Trump agora ameaça anexar a Venezuela. Chegou a cometer o despautério de falar em transformar o país sul-americano no 51º estado dos EUA

Maduro foi capturado em 3 janeiro de 2026 em uma operação militar dos EUA. -  (crédito: Reprodução/X)
Maduro foi capturado em 3 janeiro de 2026 em uma operação militar dos EUA. - (crédito: Reprodução/X)

A boçalidade parece ser a marca registrada de Donald Trump. Depois de capturar o ditador Nicolás Maduro, o republicano agora ameaça anexar a Venezuela. Chegou a cometer o despautério de falar em transformar o país sul-americano no 51º estado dos EUA. Nem mesmo a presidente títere ou marionete Delcy Rodríguez gostou do que ouviu. Na semana passada, o titular da Casa Branca tinha insinuado que um ataque a Cuba também aconteceria em breve. Trump julga-se dono do mundo, capaz de desprezar a regra básica da diplomacia e da convivência harmônica entre os povos: o respeito absoluto à soberania. A simples ilação de apoderar-se de uma nação independente soa como ato típico de déspota. Não à toa, a Casa Branca fez uma "brincadeira" com as fotos do rei Charles III e de Trump quando o monarca britânico visitou os Estados Unidos: "Dois reis".

À frente de um dos países mais ricos e poderosos (ainda...) do planeta, Trump está em franca decadência. O índice de aprovação de seu governo é de 39,5% — o mais baixo do ano e o segundo menor do governo. A taxa de desaprovação é de 59,8%, segundo pesquisa Atlas/Intel. A aventura militar no Irã é rejeitada por 59,2% dos americanos. Outro levantamento sugere que 25% da população creem que a tentativa de assassinato durante o jantar de gala de correspondentes da Casa Branca, em 25 de abril, foi uma farsa, um teatro promovido pelo governo.

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Donald Trump vive de retórica agressiva e espetaculosa. Talvez para cobrir, ou tentar abafar, os próprios excessos e erros. A guerra no Irã tem sido um completo desastre. Os sinais confusos e controversos do presidente sugerem falta de planejamento político e militar de uma guerra que parece ter sido imposta por Israel. Trump mordeu a isca e, agora, está complicado livrar-se do anzol. Sem acordo com Teerã, e depois de vários ultimatos não cumpridos, o republicano ameaça retomar os bombardeios. O problema é que nem ele nem seus assessores sabem como terminar a guerra.

A menção de transformar um país em 51º estado americano é um disparate, um blefe que merece a condenação da comunidade internacional. É preciso que alguém coloque um freio nas sandices de Trump. Uma pergunta: se a guerra ao Irã é motivada pelo programa de enriquecimento de urânio e pelo suposto plano de construção da bomba nuclear, por que Trump nada faz para anular o arsenal nuclear do ditador e déspota norte-coreano, Kim Jong Un? A resposta, talvez, seja a China — Pequim é aliado comercial e ideológico de Pyongyang. Sem resolução para o conflito com os iranianos, Trump prepara-se para pedir ajuda a Xi Jinping.

Se a política externa tem sido belicista, errática e agressiva, o contexto interno está longe de sugerir a bonança, a era dourada anunciada por Trump durante seu pronunciamento de posse e o discurso sobre o Estado da União. A economia americana flerta com uma recessão. Mau agouro para os republicanos nas eleições de novembro...

 

 

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postado em 13/05/2026 06:00
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