
Mais de 700 mil vidas perdidas para a covid-19 é uma tragédia que não pode cair no esquecimento. A devastação causada pelo vírus, a dor e a angústia deixaram cicatrizes profundas em lares pelo país todo. Nesta semana, o presidente da República sancionou a lei que institui 12 de março como o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. A data faz referência à primeira morte causada pela doença no Brasil.
No dia da sanção, houve um comovente tributo às vítimas em vários pontos do país, como o Congresso Nacional e o Cristo Redentor. Foram projetadas imagens de pessoas que não resistiram à pandemia, inclusive profissionais de saúde, que estavam na linha de frente de combate ao vírus. Entre as fotos, frases como "lembrar é um ato de cuidado".
É preciso lembrar, também, que grande parte dessa mortandade poderia ter sido evitada se, à época, estivéssemos sob um governo responsável, que cumprisse sua obrigação de atuar pela saúde da população, como é de dever. Mas o que se viu foram negacionismo em relação à letalidade do vírus, demora na compra de vacinas, ataques à ciência, tentativas reiteradas de demover as pessoas de se imunizar e insistentes campanhas contra o uso de máscaras e o distanciamento social.
Na gestão criminosa da pandemia, as mortes diárias eram contadas aos milhares, hospitais colapsaram. Lembremos as imagens de desespero em Manaus com a falta de oxigênio nas unidades de saúde. Lembremos os cemitérios com fileiras e mais fileiras de covas recentes ou sendo abertas.
Com um dia oficial para render homenagens às vítimas e o Memorial da Pandemia — inaugurado pelo Ministério da Saúde, no mês passado, no Rio de Janeiro —, além de outras iniciativas, a memória coletiva há de seguir rendendo tributo a quem sucumbiu à doença. Mas fica em nós a indignação de saber que grande parte desses milhares de vidas poderia ter sido salva. E ninguém pagou por isso. Os criminosos que levaram o Brasil a esse genocídio seguem impunes.
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