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Cuba libre hasta siempre

O destino da ilha socialista não pode estar ligado a planos espúrios e gananciosos de um gigante à espreita, faminto para abocanhar tudo o que acha lhe ser de direito.

Mais de 10 milhões de cubanos são castigados todos os dias pela sanha imperialista dos Estados Unidos, pela tentativa de impor o capitalismo e a força bruta(l) do lucro para obter vantagens. É quase uma relação parasitária. Não bastasse o embargo às exportações de Havana e às transações financeiras, iniciado por Washington há 66 anos, agora Cuba amarga um bloqueio energético que mergulha a ilha caribenha nas trevas até 20 horas por dia e ameaça pulverizar a frágil economia.

Desprovido de qualquer senso de humanidade, o presidente Donald Trump parece não se importar em tornar a vida ainda mais penosa para a população cubana. Tudo para forçar um regime. Animado com a captura do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, o presidente republicano acredita que possa fazer algo parecido na ilha caribenha.

Na semana passada, o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), John Ratcliffe, fez uma visita atípica a Havana, onde se reuniu com autoridades do Ministério do Interior cubano. Para especialistas ouvidos pelo Correio, o objetivo de Ratcliffe foi enviar um ultimato de Trump para que o regime socialista desmorone por dentro e permita uma abertura política.

Talvez movido pela compulsão utópica em tornar-se um Nobel da Paz, Trump resolveu lançar uma nova guerra fria sobre a ilha caribenha. Isso enquanto não consegue nem mesmo cumprir seus objetivos militares no Irã e se vê obrigado a revogar prazos para Teerã aceitar suas condições de cessar-fogo.

Estive em Cuba uma vez, 14 anos atrás. Pude conversar com gente que ama sua nação de todo o coração, sente orgulho em ser cubanos e, ao mesmo tempo, sonha com a liberdade de poder viajar ao exterior. O taxista de um Buick amarelo anos 50 confidenciou-me que sempre teve o desejo de conhecer o Brasil, mas sabia que isso seria impossível. Havia uma certa melancolia nas ruas de La Habana Vieja, mas também altivez, patriotismo, esperança e força.

O futuro de Cuba não cabe ser decidido por Trump, mas apenas pelos cubanos. O destino da ilha socialista não pode estar ligado a planos espúrios e gananciosos de um gigante à espreita, faminto para abocanhar tudo o que acha lhe ser de direito.

O intervencionismo americano na América Latina não é algo recente. Washington desempenhou papel importante na derrubada de Salvador Allende e na ascensão do general Augusto Pinochet, no Chile. Também exerceu ativismo no golpe de 1964 no Brasil, que marcou o início de 21 anos de regime militar. As mãos do Tio Sam também estão sujas de sangue latino.

Cuba merece ser livre. Por todo o sempre. Mas sem influência externa nem ataques militares. Liberdade não é privar a sociedade de outra nação de direitos básicos, nem catapultá-la para o tempo das cavernas ou cortar-lhe tudo aquilo que lhe garante o sustento e a prosperidade. Isso é espoliação de uma prerrogativa única e exclusivamente dos cubanos: o de mudar o próprio destino.

 

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