
O perito que examinou o corpo de Henry Borel, assassinado aos 4 anos, disse que o menino teve uma morte lenta e agônica. "Essa criança sofreu. Com a multiplicidade de lesões, deve ter chorado e reclamado muito até desfalecer. Sofreu durante um tempo até sucumbir", afirmou.
O laudo da necropsia apontou 23 lesões espalhadas pelo corpo, inclusive traumatismo na cabeça. Ele teve hemorragia interna e laceração do fígado. "Houve um homicídio por espancamento. A multiplicidade de lesões em sítios diferentes fez com que se concluísse que essa criança foi agredida e, por isso, houve a hemorragia interna", acrescentou o perito.
A perversidade que vitimou Henry foi precedida de episódios de tortura, relatados pela babá dele. Um vídeo gravado por ela mostra o garotinho mancando ao sair do quarto após ficar sozinho com o padrasto. A babá afirmou ter contado à mãe da criança. O próprio garotinho também fez o relato de ao menos um desses casos de agressão.
O sádico covarde que assassinou Henry na sessão de espancamento em 8 de março de 2021 foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão. No papel, uma sentença considerável. Na prática, com a nossa legislação frouxa — que contempla com progressão de regime até mesmo os mais sórdidos dos criminosos —, significa que o torturador homicida ficará pouco tempo atrás das grades. Se nosso país realmente punisse com rigor algozes de crianças e adolescentes, ele apodreceria na cadeia.
E a mãe de Henry? "Na qualidade de genitora e garantidora da integridade física do seu próprio filho, ela se omite o tempo todo, ela permite que a criança seja agredida sistematicamente", sustentou o promotor. Para a Justiça, porém, a mãe foi uma vítima, uma pessoa massacrada pela opinião pública por.... ser mulher. É estarrecedor, mas a alegação de misoginia foi usada para conceder o perdão judicial à figura! Esse veredito dá, inclusive, uma nova interpretação à expressão "a Justiça é cega". Nesta semana, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), enfatizou que "gênero não é salvo-conduto para crime". Ou, pelo menos, não era.
Só houve uma vítima nesse crime hediondo. Um garotinho, de apenas 4 anos, foi trucidado, um garotinho sofreu seguidos abusos até a violência final. E, assim como lhe foi negado socorro em vida, também tiraram dele, mesmo após a morte brutal, o direito à justiça que merecia.
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