
Em janeiro de 1993, na cobertura do Othon Hotel, com visão privilegiada do mar de Copacabana, eu estava diante de Maria Bethânia, uma das maiores intérpretes da Música Popular Brasileira, por quem sempre tive grande admiração. Ela estava lançando o LP As canções que você fez pra mim, que reunia composições de Roberto e Erasmo Carlos, e fui lá entrevistá-la.
Ao longo do tempo tive vários outros contatos com a Abelha Rainha, que, neste mês, celebra 80 anos de preciosa existência, enchendo de alegria e emoção a quem ouve as composições que ela interpreta de forma brilhante, tanto nos vários discos que lançou quanto nos shows.
Bethânia iniciou sua trajetória artística em Salvador, após deixar Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, em 1964, onde nasceu, e encenou o musical Nós por exemplo, ao lado do irmão Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e a saudosa Gal Costa, que inaugurou o Teatro Vila Velha, na região central de Salvador.
No ano seguinte, recém-saída da adolescência, partiu para o Rio de Janeiro, e lá substituiu Nara Leão no show Opinião, que estava em cartaz no teatro homônimo, localizado no primeiro shopping carioca, na Rua Siqueira Campos. Desde então, a trajetória da estrela tem sido recheada de êxitos, culminando com a homenagem que recebeu da Mangueira no carnaval carioca de 2019, com o enredo A menina dos olhos de Oyá, que levou aquela escola de samba a conquistar a o título depois de 14 anos sem vitória.
Tive o privilégio de assistir a vários shows da estrela. O primeiro foi no Canecão, histórica casa de espetáculos carioca, no bairro de Botafogo, no qual dividiu a cena com Chico Buarque, compositor de quem gravou clássicos da importância de Carolina, Cotidiana, Olhos nos olhos e Sem fantasia. O mais recente ocorreu no Vivo Rio, na área do Museu de Arte Moderna, quando comemorou 60 anos de bons serviços prestados à cultura do Brasil.
Obviamente, não posso esquecer de shows que ela fez em Brasília: o Brasileirinho, em 2005, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional, em homenagem ao poeta Vinicius de Moraes; e o mais recente, quando dividiu a cena com o irmão Caetano Veloso, em 11 de novembro de 2024, na Arena Mané Garrincha, para aplausos de 40 mil pessoas.
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