Se havia alguma dúvida de que Carlo Ancelotti é o protagonista do Brasil na Copa do Mundo, ela foi desfeita na entrevista coletiva de ontem na sala de conferências do MetLife Stadium. O italiano estava escalado para falar com a imprensa ao lado de Vinicius Junior. Em vez de chegar com o jogador eleito Fifa The Best em 2024 e sentar-se à mesa com ele, fez clima de mistério. Na entrevista anterior, Hakimi e Mohamed Ouahbi foram parceiros no palco.
Enquanto Vinicius Junior falava, pelo menos três jornalistas estrangeiros viraram-se para mim e perguntaram por que Ancelotti não estava lá. Informei que ele viria em seguida. O sentimento de alívio foi imediato. Todos baixaram o smartphone e as máquinas fotográficas. Esperavam ansiosamente pelo acesso dele. Não queriam perder um segundo do registro.
Acalmados, preferiram guardar a memória dos dispositivos para a entrada triunfal do recordista de títulos da Champions League com cinco orelhudas, e único campeão nacional nas cinco principais ligas do Velho Continente: Alemanha, Espanha, França, Itália e Inglaterra por Bayern de Munique, Real Madrid, PSG, Milan e Chelsea, respectivamente.
Quando Vinicius Junior acabou de falar, foi possível perceber a mudança no ambiente. Passos rápidos em direção ao palco. Cadeiras rapidamente ocupadas. Um balé de mãos subindo e descendo na tentativa de fazer uma pergunta ao lendário senhor de 67 anos.
Carlo Ancelotti estreia na Copa como técnico. Participou dela em 1986 e em 1990 como jogador. Era auxiliar de Arrigo Sacchi em 1994. Não fez parte do elenco de Enzo Bearzot, campeão da Copa de 1982, por muito pouco. Uma lesão o deixou fora da lista.
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O homem é uma lenda humilde. "É uma experiência nova, mas algo especial, obviamente. É ter a responsabilidade e a honra de representar um país do futebol. A Seleção mais laureada do mundo. Quero aproveitar este momento com alegria e felicidade porque é um momento bonito da minha história", respondeu a outra lenda, o narrador Galvão Bueno.
Entre uma resposta e outra, um jornalista com credencial do Senegal comenta ao meu lado. "Nunca imaginei vê-lo de tão perto. O que você acha que ele vai conseguir com o Brasil nesta Copa do Mundo", perguntou, à espera de uma resposta minimamente convincente.
No dia da estreia do Brasil, compartilho o que disse ao colega de profissão: nesta Copa, não espero nada. Ele assumiu um trem desgovernado que teve quatro maquinistas diferentes em três anos e meio. Portanto, o que vier é lucro. Ele deixou claro que não é mago, mas cá entre nós: se a varinha de condão entregar o hexa, digo sem medo de errar, será o maior milagre de um técnico à frente da Seleção. E olha que Felipão fez milagre em 2002, com a ressalva de que desfrutava de Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos e Cafu.
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