
Ao tomar conhecimento das restrições e dificuldades impostas por Donald Trump aos que visitam os Estados Unidos, me recordei de quando estive em Nova York em 2009 e, praticamente, mapeei a cidade que mais recebe turistas no mundo. Busquei conhecer o que havia de mais interessante na cena artístico-cultural.
Fiz, antes, um roteiro do que gostaria de ver e assistir. Obviamente, procurei saber o que estava em cartaz na Broadway e me juntei à plateia de Cats, musical que vinha superlotando o teatro onde estava em cartaz havia mais de um ano. Na Time Square, filas imensas formavam-se para compra de ingressos.
Assisti a um show de blues no Carnegie Hall, local em que, em 21 de novembro de 1962, houve a Noite da Bossa Nova, com a participação de Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Roberto Menescal, Luiz Bonfá e Sérgio Mendes e Alaíde Costa, entre outros.
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Seguindo a sugestão do crítico musical Nelson Motta, estive no bairro do Harlem e me emocionei com a performance do tradicional grupo de gospel da First Church Baptist após o culto — momento em que o louvor se transforma em verdadeiro concerto musical.
Mas nem só o sagrado estava na minha agenda. Não perdi a oportunidade de ir ao Greenwich Village, bairro onde, em 28 de junho de 1969, ocorreu protestos da comunidade LGBTQIA contra a violência de policiais que ficaram conhecidos como Stone Wall Revolution. O movimento gerou manifestação, em forma de passeata que, posteriormente, passou a ser realizada em várias cidades do mundo, inclusive São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
Nas caminhadas que fazia pelo Central Park, ponto de encontro de nova-iorquinos e visitantes, sempre parava no memorial de John Lennon, modesto para a importância do genial cantor e compositor inglês que formou com Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr os Beatles a mais relevante banda de pop e rock de todos os tempos.
O autor de Imagine, hino pela paz, morava com Yoko Ono ao lado no edifício Dakota, em frente do qual foi assassinado em 8 de dezembro de 1980, o que abalou não apenas os fãs, mas todos os que se posicionam contra a violência e a barbárie. Certa vez, a vi chegando ao prédio.
Por tudo o que ocorre atualmente na relação do Brasil com os Estados Unidos, não existe nenhum motivo que me leve querer voltar a Nova York — cantada em bela canção por Frank Sinatra —, pelo menos neste momento.
Até porque, não quero ser alvo da truculência da qual atualmente são alvo os turistas. Nem mesmo os jogos da Copa do Mundo que são realizados naquela metrópole me fazem mudar de ideia, principalmente depois da derrota da Seleção Brasileira para a da Noruega e a consequente eliminação da Copa do Mundo.
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