
Nem sempre vista com a devida atenção, a saúde mental de crianças e — especialmente — de adolescentes tem de estar entre as prioridades da família, da sociedade e do Estado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), globalmente, um em cada sete jovens de 10 a 19 anos sofre de algum transtorno mental, como depressão e ansiedade. Também conforme a entidade, o suicídio é a terceira principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos.
Na semana passada, o Ministério da Saúde lançou uma importante ferramenta de atendimento em saúde mental para jovens. A faixa etária de 13 a 24 anos tem a possibilidade de acessar, gratuitamente, a plataforma "Pode Falar".
Conforme a pasta, o serviço oferece escuta e atenção psicológica, que podem ocorrer anonimamente, se o jovem assim preferir. O contato inicial, segundo o ministério, é feito por um chatbot, numa espécie de primeira escuta digital. Caso seja identificado que a pessoa precisa de um apoio mais direto, o sistema a encaminha para um atendimento humano — feito por estudantes de graduação e pós-graduação de áreas como psicologia, medicina e educação, sob supervisão de professores.
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O acesso ocorre pelo site www.podefalar.org.br. O programa é uma parceria do ministério com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). "O serviço atua como uma porta de entrada para o cuidado, semelhante ao CVV, mas com foco específico no público jovem", diz a pasta, numa menção ao Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional a pessoas de todas as idades e trabalha na prevenção do suicídio — essa ONG existe há mais de seis décadas e atende pelo número 188, por chat (cvv.org.br/chat/) ou por e-mail (apoioemocional@cvv.org.br).
Há diversos fatores que afetam a saúde mental de jovens, como dificuldade de lidar com emoções; discriminação; pressão para seguir os padrões da sociedade; influência das redes sociais; agressões, especialmente sexual e bullying; educação violenta, imposta por pais ou responsáveis, entre outros.
"Adolescentes com problemas de saúde mental são particularmente vulneráveis a exclusão social, discriminação, estigma (que afeta a disposição para buscar ajuda), dificuldades educacionais, comportamentos de risco, problemas de saúde física e violações dos direitos humanos", alerta a OMS.
Além da plataforma, o SUS oferece cuidado integral presencialmente, com porta de entrada pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS). O importante é buscar ajuda para crianças e adolescentes ante os sinais de transtornos. Além do sofrimento presente, as consequências podem se estender à vida adulta.
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