Artigo

A eleição dos passivos políticos

Passivos políticos merecem ser conhecidos. O futuro do Brasil, porém, precisa decidir a eleição

. -  (crédito: Caio Gomez)
. - (crédito: Caio Gomez)

A campanha eleitoral começa oficialmente daqui a oito dias. Na prática, a corrida presidencial está em andamento. Os primeiros movimentos indicam um risco: o pleito de 2026 pode ser marcado menos pelo confronto de ideias e mais pela disputa entre passivos políticos.

Toda eleição revisita o passado dos candidatos e dos grupos em disputa pelo poder. É natural. O cidadão tem o direito de conhecer a trajetória de quem pretende governar o país. A distorção surge quando a história recente ocupa quase todo o espaço reservado ao futuro.

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A esquerda continuará convivendo com os reflexos da Lava-Jato, um dos episódios mais transformadores e controversos da vida política brasileira. A direita continuará enfrentando os efeitos políticos dos atos de 8 de Janeiro, tema inevitável da campanha. Soma-se a esse cenário o caso do Banco Master, cujo impacto eleitoral dependerá da evolução dos fatos, do rigor da Justiça na apuração e da percepção do eleitorado.

Toda democracia convive com passivos políticos. Nenhum partido, movimento ou liderança atravessa décadas de vida pública sem acumular decisões controversas, crises ou episódios explorados pelos adversários. O desafio não está na existência dessas marcas. O risco é transformá-las no eixo quase exclusivo do debate eleitoral. Quando isso acontece, a disputa deixa de ser sobre o que os candidatos pretendem fazer e passa a girar apenas em torno do que fizeram — ou do que deixaram de fazer.

Nenhum desses assuntos deve ser ignorado. Transparência, investigação e responsabilização são pilares de qualquer Estado Democrático de Direito. Mas uma eleição presidencial não pode se transformar em um grande plebiscito sobre o passado, no qual o cidadão seja chamado a decidir qual lado carrega o passivo político mais pesado.

Há perguntas muito mais urgentes à espera de resposta. Como retomar um crescimento econômico sustentável? Como elevar a produtividade? Como melhorar a qualidade da educação? Como enfrentar o avanço do crime organizado? Como modernizar o Estado? Como preparar o Brasil para uma economia moldada pela inovação, pela inteligência artificial e pelas transformações demográficas?

Responder a esses desafios exige diagnósticos consistentes, metas claras e capacidade de execução. Acima de tudo, exige lideranças dispostas a apresentar soluções, e não apenas coleções de acusações contra os adversários

Uma democracia madura não elimina o debate sobre o passado. Apenas impede que ele monopolize a discussão sobre o amanhã. Os brasileiros precisam conhecer os erros de quem pede o voto. Mas também têm o direito de comparar propostas, capacidade de gestão e visão de país.

Passivos políticos merecem ser conhecidos. O futuro do Brasil, porém, precisa decidir a eleição.

Para não dizer que não falei de esporte no nosso econtro de sábado, vejo a movimentação de ex-atletas, técnicos e cartolas por um cargo público. No DF, Marcelinho Carioca, ex-meia do Brasiliense e ex-direitor do Capital, cobiça o cargo de distrital. Maior artilheiro do Brasileirão em uma edição com 34 gols em 2004, Washington "Coração Valente" almeja a Câmara dos Deputados. Leila do Vôlei disputa a reeleição ao Senado.

Edmundo está no páreo no Rio para para deputado federal. Luis Fabiano, o Fabuloso, vislumbra o mesmo cargo por São Paulo. Vanderlei Luxemburgo deseja cadeira no Senado por Tocantins. Ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello tenta revalidar o lugar na Câmara. Haja passivos para o eleitor-torcedor avaliar antes de ir à urna.

 

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MP
postado em 08/08/2026 06:00
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