
Por Tharsila Prates — Já viu chocolate derreter no inverno mal o pacote é aberto? E correr às 6h30 com óculos escuros e viseira? Concordo que quem sai muito cedo de casa precisa de um casaco que, depois, é jogado de lado. É para enfrentar os 10ºC, 13ºC ou 16°C de temperatura mínima, mas, em Vitória da Conquista, cidade baiana onde nasci, os moradores enfrentaram este ano 8ºC, com chuva fina e tempo nublado! Frio suíço!
No Sol brasiliense do meio-dia, passo vergonha carregando uma jaqueta jeans que só tenho à mão porque volto para casa depois das 22h. À noite, bate até um ventinho. De dia, porém, dá vontade de usar uma regatinha. No inverno?
E quem disse que julho não é mês de visitar as cachoeiras da região? Perdi tempo. Agora estamos em agosto, e, com o tempo cada vez mais seco, quero água fria, gelada pra já! Mas no inverno?
Que loucura! Vim para trabalhar há cerca de 10 meses e estou estranhando este inverno/verão. Quem nasceu ou vive aqui há décadas me disse que é quente assim mesmo. Normal. Mas…
Em 6 de agosto (dia em que meu chocolate derreteu), as temperaturas máximas chegaram a 31,2°C em Águas Emendadas, 30,3°C no Gama e 30,4ºC no Paranoá, sendo que a média histórica para este mês é de 27ºC, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Ou seja, está calor, sim! Acima da média.
Depois disso, a capital federal enfrentou três dias consecutivos batendo o recorde de temperatura do ano, com mais de 34°C. Veja: máxima temperatura, só que no inverno. E sem litoral. Minha gente…
O meteorologista Olivio Bahia, do Inmet, disse que a principal hipótese para o calorão é o El Niño, que barra a chegada de frentes frias vindas de outras partes do país em direção ao Centro-Oeste.
O fato de fazer 10ºC de mínima, como foi o caso em 6 de agosto, em Águas Emendadas, é por conta da perda de radiação, que resfria o ar à noite e durante a madrugada. Sem nuvens e sem frente fria, porém, passamos esse sufoco durante o dia.
O meteorologista também comentou que não anda vendo pessoas encapotadas, cobertas de roupas de frio. Também não anda sentindo os efeitos devastadores da baixa umidade do ar. Para ele, 2026 tem sido um "ano relativamente light", até agora, em relação a esse quesito — embora o índice já tenha batido em 13%.
Em São Paulo, onde morei 10 anos, eu passava semanas sem ver a luz do Sol na estação mais fria do ano. Era gelado e com tempo fechado, sem fazer 30°C na sombra como aqui. Com El Niño, mudanças climáticas e maus-tratos ao meio ambiente, nem sei como está o tempo por lá, no dia a dia. O fato é que, se não virarmos mães e pais de plantas, cuidarmos das áreas públicas verdes (e cobrar que cuidem e haja investimento), jogarmos lixo no chão, mares, rios e cachoeiras, não reciclarmos o lixo e não economizarmos água, o planeta caminhará realmente para a extinção.
Por aqui, já está faltando até uma praia, para refrescar. Até quando mesmo vai o inverno?

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