Artigo

Enfrentar o problema e construir soluções

Os resultados do Ideb revelaram uma realidade que exige mudanças. Diante desse cenário, seria possível buscar justificativas ou transferir responsabilidades. A escolha, porém, foi outra: enfrentar o problema e construir soluções

O Distrito Federal reúne condições excepcionais para construir uma nova trajetória: profissionais qualificados, uma rede pública forte e capacidade institucional para avançar -  (crédito:  Viola Júnior/Esp. CB)
O Distrito Federal reúne condições excepcionais para construir uma nova trajetória: profissionais qualificados, uma rede pública forte e capacidade institucional para avançar - (crédito: Viola Júnior/Esp. CB)

Por Thiago Peixoto, secretário de Educação do Distrito Federal e mestre em administração pública pela Universidade de Harvard.

A história mostra que grandes transformações públicas não acontecem quando líderes procuram justificar problemas, minimizar resultados ou transferir responsabilidades. Elas acontecem quando há coragem para reconhecer a realidade, determinação para enfrentar desafios e compromisso para construir soluções. Existem lideranças que administram narrativas e existem lideranças que transformam realidades.

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Foi essa postura que a governadora Celina Leão adotou ao colocar a educação no centro da agenda do Distrito Federal. Os resultados do Ideb revelaram uma realidade que exige mudanças. Diante desse cenário, seria possível buscar justificativas ou transferir responsabilidades. A escolha, porém, foi outra: enfrentar o problema e construir soluções.

Com essa convicção, iniciamos a elaboração de um projeto estruturante de reforma educacional para o Distrito Federal. Um projeto de transformação baseada em premissas inseparáveis: coragem, senso de urgência e visão de longo prazo.

Precisamos saber aonde queremos chegar e quais caminhos percorrer para construir uma educação de excelência. Mas não podemos esquecer que existe um estudante hoje em uma sala de aula que precisa aprender agora, nesta aula, neste dia, neste ano letivo.

As bases desse projeto serão construídas em diálogo com a sociedade e terão como princípio uma ideia simples: não precisamos inventar a roda. Precisamos estudar, adaptar e implementar políticas públicas que demonstraram resultados positivos no Brasil e no mundo, respeitando as características do Distrito Federal.

Recebi da governadora a missão de coordenar esse projeto. Mais do que um convite para assumir a Secretaria de Educação, foi uma convocação para construir uma transformação cujo foco é um só: garantir aprendizagem para os mais de 600 mil estudantes da rede pública.

O Distrito Federal possui um dos corpos docentes mais qualificados do país, com professores altamente preparados, mestres e doutores em seus quadros. Essa excelência precisa se refletir também em mais aprendizagem dos estudantes.

Por isso, os professores estarão no centro dessa mudança, com uma política permanente de formação continuada, apoio pedagógico e valorização profissional. Valorizar significa reconhecer a importância da carreira, mas também construir um compromisso coletivo com aquilo que realmente importa: garantir que todos os estudantes aprendam.

Os diretores e gestores escolares também terão papel fundamental. Eles serão líderes pedagógicos dessa transformação dentro das escolas. Receberão formação e apoio para fortalecer a gestão, acompanhar resultados e colocar a aprendizagem no centro das decisões.

Também será construído um acompanhamento pedagógico rigoroso e colaborativo, formado por profissionais qualificados que atuarão como agentes da mudança, apoiando as escolas e garantindo que as políticas sejam implementadas com qualidade.

O Brasil e o mundo conhecem muitos caminhos que funcionam. O maior desafio da educação não é apenas saber o que precisa ser feito, mas criar capacidade para implementar bem.

A alfabetização na idade certa será uma prioridade, assim como a ampliação da educação em tempo integral. Mais tempo na escola precisa significar mais oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento para nossos estudantes.

Falo desse desafio também a partir da experiência de quem participou de processos semelhantes de transformação educacional. Em Goiás, uma estratégia consistente levou a rede estadual a se tornar referência em qualidade educacional. Mais recentemente, em Florianópolis, lideramos uma evolução muito expressiva na aprendizagem dos estudantes.

Essas experiências mostram que mudanças profundas são possíveis quando existem liderança, planejamento, acompanhamento e foco permanente na aprendizagem.

Mas esse desafio não será vencido apenas pelo governo. Embora seja uma responsabilidade fundamental do poder público, a transformação da educação depende do envolvimento dos professores, gestores escolares, famílias, estudantes, comunidade escolar e sociedade civil organizada.

O Distrito Federal reúne condições excepcionais para construir uma nova trajetória: profissionais qualificados, uma rede pública forte e capacidade institucional para avançar.

O que fará a diferença será a capacidade de transformar planejamento em execução, compromisso em resultados e boas ideias em aprendizagem.

Porque, no final, a educação será medida por uma pergunta simples e fundamental: nossas crianças estão aprendendo?

É para responder cada vez mais "sim" a essa pergunta que todo esforço deve estar concentrado.

 


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Por Opinião
postado em 30/08/2026 06:01
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