A próxima terça-feira marca o início da campanha Setembro Amarelo, lançada anualmente desde 2014 para alertar sobre a necessária vigilância à saúde mental na sociedade. Originária dos Estados Unidos, a partir da morte de um jovem de 17 anos que gostava de ajudar os outros e tinha um Mustang amarelo, a iniciativa está presente atualmente em mais de 40 países.
Além de orientações para identificar possíveis sinais de suicídio, o movimento procura combater o estigma contra quem passa por algum tipo de sofrimento. Chamado de Yellow Ribbon (laço amarelo), o programa preconiza dois princípios de enorme relevância na prevenção do suicídio e de transtornos mentais. O primeiro: "Não há problema em pedir ajuda", uma mensagem de acolhimento para quem passa por algum tipo de dificuldade. O segundo: "Be a link" (Seja um laço), o incentivo para ter uma postura proativa em relação a quem se encontra em situação vulnerável. Trata-se de uma ajuda comunitária que pode salvar vidas antes de procurar o atendimento de profissional em saúde mental.
No Brasil, estima-se que 14 mil pessoas cometam suicídio todos os anos. Os casos ocorrem em todos os estratos da sociedade, independentemente da origem, classe social, idade, orientação sexual ou identidade de gênero dos indivíduos. Fenômeno complexo, o suicídio passou a ser visto como a manifestação do indivíduo na sua relação com a coletividade. Os estudos de Émile Durkheim, um dos fundadores da sociologia, ainda hoje são considerados referência.
Uma importante iniciativa é conduzida pelo Centro de Valorização da Vida. Em parceria com o Sistema Único de Saúde, o serviço funciona 24 horas por dia no telefone 188, com ligações gratuitas. Especialistas reforçam na importância de uma rede de apoio e assistência a quem está em sofrimento, mas em razão de várias circunstâncias, não consegue pedir ajuda.
A chegada da campanha Setembro Amarelo é oportuna para aprofundar o debate sobre um tema contemporâneo: os riscos à saúde mental de crianças e adolescentes provocados pelas redes sociais. O Brasil tem acompanhado, nos últimos dias, o embate entre os órgãos fiscalizadores e a plataforma Discord, após uma adolescente de 13 anos ter sido induzida ao suicídio no Mato Grosso do Sul. Cinco adolescentes e um adulto de 18 anos foram presos, suspeitos de integrar um grupo criminoso que aborda crianças e adolescentes no ambiente virtual.
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Nos Estados Unidos, a Meta aceitou pagar uma indenização de US$ 16 bilhões, o equivalente a R$ 86 bilhões, para encerrar processos judiciais móvitos por 29 estados norte-americanos. A gigante da tecnologia era acusada de utilizar mecanismos, em suas redes sociais, que provocam dependência nos usuários e prejudicam a saúde mental de jovens.
Episódios como esses reforçam a necessidade de se implementar uma regulação às redes sociais, de modo a conter a ganância por lucros bilionários às custas da saúde mental da sociedade, além de proteger os mais vulneráveis de grupos criminosos que agem nas sombras do ambiente digital.
Em um mundo no qual as relações pessoais se veem cada vez mais fragilizadas, a campanha Setembro Amarelo oferece oportunidade para a reaproximação, o diálogo e a ajuda. Mais presença, menos distância. É o que a humanidade mais precisa neste século marcado pela revolução tecnológica.
