ELEIÇÕES 2026

O fator surpresa que desmancha qualquer certeza na disputa presidencial

A 23 dias do primeiro turno, a crise no Supremo, reviravoltas políticas e investigações recentes provam que o cenário nas urnas ainda está em aberto

O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro -  (crédito: TSE)
O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro - (crédito: TSE)

A 23 dias do primeiro turno das eleições, a ebulição política em Brasília proíbe qualquer prognóstico sobre qual resultado vai sair das urnas. Com a mais grave crise institucional do Supremo Tribunal Federal desde a redemocratização em andamento, passando por desdobramentos das investigações do Banco Master, do caso Dark Horse e das fraudes nas aposentadorias do INSS, qualquer fato novo é capaz de provocar uma mudança de rumo no humor do eleitorado.

A Operação Make Up, deflagrada ontem pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, é o fato mais recente a entrar nessa equação. E não é um episódio qualquer. A investigação alcança emendas parlamentares, organizações sociais, empresas, ao menos um deputado federal e a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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O que chama a atenção é a dimensão da engrenagem financeira investigada. Mario Frias destinou R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil. Relatórios do Coaf identificaram uma sequência de transferências até a produtora responsável por Dark Horse. O deputado também fez transferências diretas de R$ 645,4 mil para a empresa no fim do ano passado. A movimentação foi considerada atípica pela investigação diante do rendimento mensal declarado pelo parlamentar.

Tudo precisa ser apurado. É importante fazer essa ressalva porque investigação policial não é sentença. Mas seria igualmente errado tratar um caso dessa dimensão como mais uma notícia que desaparecerá na velocidade do ciclo eleitoral, e é justamente aí que está o problema para quem tenta entender esta eleição pelas pesquisas.

Os institutos fazem o trabalho necessário. Independentemente da metodologia, entrevistam eleitores, calculam amostras e registram o retrato daquele momento. O problema é que Brasília está produzindo fatos numa velocidade maior do que a capacidade de qualquer pesquisa de captá-los. Quando o questionário começa a ser aplicado, um cenário existe. Assim que a pesquisa termina, outro está se formando. E na divulgação do resultado, talvez uma terceira realidade já esteja diante do eleitor.

É uma diferença brutal em uma campanha como a que estamos tendo em 2026. Até pouco tempo, a leitura predominante na classe política era o favoritismo de Luiz Inácio Lula da Silva. As últimas sondagens começaram a produzir um cenário diferente e passaram a apontar vantagem de Flávio Bolsonaro no mais do que provável segundo turno. Não considero prudente transformar isso em certeza. Pesquisa não é urna.

Mas também seria um erro ignorar a mudança. Tenho dificuldade, neste momento, em enxergar alguém com força suficiente para romper a polarização. A disputa está mesmo concentrada nos dois nomes. O que não está definido é quem chegará à frente e com que vantagem. E há uma variável que nenhum instituto consegue medir antecipadamente: o próximo acontecimento.

Por isso, considero que a eleição ainda está longe de estar decidida. E, a essa altura, quem apresentar um cenário fechado estará vendendo mais certeza do que os fatos permitem. O eleitorado muda de humor. Uma semana é mais do que suficiente para uma chacoalhada no cenário eleitoral, com investigação que pode prejudicar uma candidatura ou até uma declaração capaz de produzir um efeito que ninguém antecipou.

Será uma eleição aos solavancos até o fim. Neste momento, é a única previsão realmente segura.


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postado em 11/09/2026 05:01
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