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Musicoterapeuta: um profissional necessário

Celebrar o Dia do Musicoterapeuta é celebrar uma profissão que vem conquistando seu reconhecimento, mas que continua lutando para que o direito à musicoterapia seja, de fato, um direito acessível

 Com o aumento de diagnósticos de autismo, síndrome de Down e Alzheimer, a musicoterapia foi se tornando referência como coadjuvante a tratamentos convencionais -  (crédito: Pedro Bicaco)
Com o aumento de diagnósticos de autismo, síndrome de Down e Alzheimer, a musicoterapia foi se tornando referência como coadjuvante a tratamentos convencionais - (crédito: Pedro Bicaco)

Isabella Campos da Paz musicoterapeuta e professora de canto

Quinze de setembro é o dia do musicoterapeuta, profissional que atua na área da saúde e trata pessoas por meio da utilização da música e de seus elementos, de forma sistematizada, com base científica. O ritmo, por exemplo, é um forte estimulante e organizador a nível motor, cognitivo e do comportamento humano. Já o canto e a improvisação permitem que pessoas se expressem criativamente e regulem seus estados emocionais.

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Até pouco tempo atrás, a musicoterapia era uma atividade profissional desconhecida da população. No Brasil, ela começou a se destacar nos anos de 1970 junto à área da saúde mental, educação musical e reabilitação. Com o aumento de diagnósticos de pessoas com autismo, síndrome de Down, Parkinson e Alzheimer, foi se tornando referência como coadjuvante a diversos tratamentos convencionais.

Também deram visibilidade à musicoterapia os avanços tecnológicos das neuroimagens, que vêm assinalando que a percepção musical e o fazer musical podem gerar mudanças estruturais e neuroquímicas no cérebro, modificando seu funcionamento e possibilitando a criação de conexões neurais, por meio da neuroplasticidade. Isso ampliou as possibilidades de reabilitar com música pessoas com traumas cerebrais e AVCs (acidentes vasculares cerebrais) que tiveram sequelas motoras ou da fala. 

Em 2024, foi regulamentada a profissão do musicoterapeuta no Brasil. A articulação dos musicoterapeutas junto a lideranças políticas nos estados e no Congresso possibilitou que os legisladores entendessem a necessidade da regulamentação, uma vez que a musicoterapia lida com a saúde das pessoas, e que ela pode causar iatrogenias quando praticada por um não musicoterapeuta. Algumas pessoas podem se sentir desconfortáveis com determinadas músicas, apresentar aceleração cardíaca ou elevação da pressão arterial ou até mesmo, em casos de pacientes específicos, ter surtos psicóticos ou epilepsia. 

A lei, pois, passou a exigir que a musicoterapia seja realizada somente por profissionais formados em musicoterapia, em cursos de graduação. Importante é dizer que o musicoterapeuta não é um professor de música, tampouco um psicólogo. A musicoterapia tem suas bases teóricas, abordagens, técnicas e métodos próprios, e o musicoterapeuta está apto a integrar equipes multidisciplinares em hospitais, clínicas, escolas, empresas e grupos comunitários. Vale ressaltar que a musicoterapia é uma terapia de baixíssimo custo. Atualmente há 18 associações de musicoterapia no Brasil, inclusive no Distrito Federal, que formam a União Brasileira das Associações de Musicoterapia (Ubam). Se você precisar de um musicoterapeuta, procure a associação de seu estado. 

Segundo Luiz Belizário, presidente da Ubam, os desafios da musicoterapia hoje são: o aumento de cursos de graduação em universidades federais, o aumento de leis que criem o cargo de musicoterapeuta nas secretarias de saúde e o reconhecimento do musicoterapeuta como um profissional da saúde pelo Ministério da Saúde, pelo Conselho Nacional de Saúde e pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), conforme a Lei 14.842, para que o musicoterapeuta participe das políticas públicas da área, tenha a sua profissão fiscalizada e para que a musicoterapia seja inserida no rol de procedimentos da ANS e planos de saúde e seja o musicoterapeuta inserido no seu rol de profissões. Até o momento, já se conseguiu na ANS o reconhecimento do procedimento da musicoterapia no tratamento de indivíduos com autismo. Vitória! 

Celebrar o Dia do Musicoterapeuta é celebrar, pois, uma profissão que vem conquistando seu reconhecimento, mas que continua lutando para que o direito à  musicoterapia seja, de fato, um direito acessível a todos. 

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Por Opinião
postado em 15/09/2026 05:00
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