
Com o Dia Internacional contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças — 23 de setembro —, a Fundação Abrinq chamou a atenção em seu site para a campanha Pode Ser Abuso, na qual lista os sinais emitidos por meninas e meninos que estão sofrendo violência sexual — seja abuso, seja exploração.
Nem sempre as vítimas dessas agressões conseguem pedir socorro diretamente, porque estão traumatizadas, sentem culpa ou vergonha ou por serem ameaçadas pelos algozes — na imensa maioria dos casos, o crime é cometido por familiares, parentes ou amigos, ou seja, pessoas da confiança delas. A depender da idade, inclusive, meninas e meninos não têm noção de que estão sendo submetidos a uma violência.
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Mas os indícios aparecem no comportamento deles, como ressalta a entidade: tristeza persistente; choro frequente ou apatia; pesadelos recorrentes; insônia ou sono excessivo; medo de ficar sozinho ou de permanecer com determinadas pessoas; infecções urinárias ou genitais sem causa identificada.
Outros sinais são dificuldades de concentração, queda no desempenho escolar, perda de interesse por brincadeiras e atividades, alterações no sono e na alimentação, medo de determinados lugares ou pessoas e manifestações incomuns relacionadas à sexualidade.
Conforme a orientação, "é importante não transformar um sinal isolado em conclusão". "Uma mudança de comportamento pode ter diferentes causas." Porém, se existe uma suspeita, a primeira providência é proteger a vítima e evitar que a situação se agrave.
Caso a criança ou o adolescente conte estar sofrendo a violência, é preciso ouvir, sem pressionar por detalhes. "A escuta especializada e o depoimento especial devem ser realizados por profissionais capacitados, conforme estabelece a legislação brasileira", explica a fundação.
Há aqui outro ponto importantíssimo que destaco em casos graves assim: quando meninas e meninos denunciam o crime, é preciso apoiá-los, fazer com que se sintam seguros, lembrá-los de que não são culpados pela violência que sofreram. Desacreditá-los é revitimizá-los.
Ante a identificação ou a suspeita do crime, não se deve confrontar o agressor — alerta a entidade. Isso pode colocar em risco a vítima e prejudicar a futura investigação. A atitude correta é denunciar ao Disque 100, em um conselho tutelar ou à polícia. "Qualquer pessoa pode denunciar uma suspeita de violência sexual contra criança ou adolescente. Não é necessário ter certeza sobre o que aconteceu para comunicar uma situação que gere preocupação", enfatiza.
Meninas e meninos dependem de nós — Estado, sociedade e família — para socorrê-los. Quem souber ou suspeitar da violência tem a obrigação de denunciar. Não se trata de "opção", trata-se de dever. Se omitir é ser conivente com a barbárie.
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