Artigo

Na conta do negacionismo

Nova York decretou estado de emergência devido a um surto de sarampo. Os EUA têm sofrido o mesmo ataque de que são alvos outras nações, como o Brasil: o de grupos antivacina

EUA e Brasil enfrentam aumento dos casos de sarampo  -  (crédito: Paulo Pinto/Agencia Brasil)
EUA e Brasil enfrentam aumento dos casos de sarampo - (crédito: Paulo Pinto/Agencia Brasil)

Leio que Nova York decretou estado de emergência devido a um surto de sarampo. A governadora Kathy Hochul enfatizou a importância da vacinação e anunciou medidas para tentar frear a disseminação do vírus no estado. "Ninguém deveria ficar gravemente doente ou morrer de uma doença evitável por vacina", enfatizou. Óbvio, certo? Não para todo mundo. Outro estado norte-americano, a Pensilvânia, enfrenta a pior crise da enfermidade desde 1991, com mais de mil casos até agora. Há registros, também, pelo restante do país.

Os Estados Unidos têm sofrido o mesmo ataque de que são alvos outras nações, como o Brasil: o de grupos antivacina. O agravante, por lá, é que essa onda negacionista recebe apoio do presidente norte-americano e do próprio secretário de Saúde. Os dois, que deveriam zelar pelo bem-estar da população, são críticos de imunizantes, questionam a segurança deles e, sem evidências científicas, os relacionam a casos de autismo. Os cidadãos estão pagando o preço da irresponsabilidade de suas autoridades — alguns, com a própria vida, inclusive crianças.

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O presidente dos EUA, inclusive, retirou do calendário de vacinação seis imunizantes recomendados para o público infantil: contra hepatite A e B, gripe, meningococo (que causa meningites), vírus sincicial respiratório, rotavírus e covid-19.

Aqui no Brasil, é forte também a ação dos antivacina. Mas há uma diferença fundamental. Estamos sob um governo que reconhece e respeita a ciência. A atual gestão trabalha para combater as notícias falsas sobre imunizantes, incentiva a procura pelas doses e se empenha pela recuperação das altas coberturas vacinais — perdidas, especialmente, durante os anos em que o país foi administrado por um negacionista.

Em relação ao sarampo, temos, sim, registrado casos — 52, até segunda-feira —, no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Amazonas, mas todos importados, porque o vírus causador da doença avança nas Américas. E a maioria dos atingidos por aqui não tinha tomado as duas doses recomendadas.

O Ministério da Saúde tem realizado seguidas ações de enfrentamento. Ontem, informou mais algumas, motivadas, justamente, pelo agravamento do quadro nos EUA e em outros países das Américas. Entre as providências estão busca ativa, investigação epidemiológica, monitoramento de contatos e bloqueio vacinal. Nos estados que registraram a doença, foi intensificada a vacinação.  

Dos casos no Brasil, a maioria é de crianças. Um risco tremendo para elas. Altamente contagioso, o sarampo pode ter complicações, como pneumonia — causa mais comum de mortes pela doença entre crianças pequenas; infecção no ouvido, que pode levar à perda auditiva permanente; inflamação no cérebro e até morte.

A forma de evitar uma doença tão grave é a vacina, disponível gratuitamente no SUS. Se há crianças ou adolescentes em casa com doses em atraso, leve para atualizar a caderneta. Quem tem até 59 anos e não se imunizou também deve procurar unidades de saúde para receber a proteção. Embora adultos sejam menos suscetíveis a casos graves, têm potencial para transmiti-la, o que ameaça crianças — as mais impactadas — e outras pessoas que, por um motivo ou outro, não podem ser imunizadas. Quem não sabe como está seu histórico de vacinação pode consultá-lo pelo aplicativo Meu SUS Digital (meususdigital.saude.gov.br). Sarampo pode causar sequelas permanentes ou até a morte, mas é prevenível, com uma vacina segura, eficaz e que, aqui no Brasil, é gratuita.

 

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postado em 08/10/2026 05:00
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