
Em setembro, a OCDE divulgou os resultados do Pisa 2025. O Brasil marcou 377 pontos em matemática, 408 em leitura e 409 em ciências, abaixo da média da organização nas três áreas, que, em matemática, é de 463 pontos.
Ficamos em 71º lugar em matemática, 67º em ciências e 52º em leitura entre os países com resultados comparáveis. Em ciências, apenas cerca de 48% dos nossos estudantes de 15 anos alcançam o nível básico de proficiência; na média da OCDE, são 74%. Em leitura, só 1% chega aos níveis mais altos, contra 6% da média dos países ricos.
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Lamento, promessas, mais um plano. Os dados são conhecidos e, a cada edição, produzem o mesmo ritual. Raramente se faz a pergunta de fundo: o que, exatamente, a escola brasileira tem feito com as horas que passa com os nossos filhos? Se o resultado é esse, talvez o problema não esteja apenas nos meios, mas nos fins.
Panorama
Em 2022, a OCDE estimou que os estudantes de Singapura, líder do ranking, estavam de três a cinco anos de escolaridade à frente da média dos países-membros. Uma geração que sai da escola sem dominar leitura e matemática chega ao mercado de trabalho e à vida pública com menos ferramentas para entender contratos, números, notícias e argumentos, inclusive para perceber quando está sendo persuadida em vez de informada. Onde a escola não ensina, sobra a dependência.
Novos tempos
É essa a pergunta que o engenheiro e professor francês Pascal Bernardin propõe em Maquiavel pedagogo, ou o ministério da reforma psicológica, publicado na França em 1995 e traduzido no Brasil em 2013. Sua tese é que, ao longo das últimas décadas, reformas educacionais conduzidas de forma discreta, por meio de organismos internacionais e redes de especialistas, deslocaram o objetivo da escola. Em vez de transmitir conhecimentos, a escola passaria a modificar atitudes, valores e comportamentos dos alunos, com técnicas de dinâmica de grupo e de psicologia comportamental aplicadas sem debate público e, muitas vezes, sem o conhecimento dos pais. A criança deixa de ser alguém a instruir e se torna matéria a moldar.
Do avesso
Segundo Bernardin, o método depende de um vocabulário técnico e simpático, feito de "competências", "habilidades", "inovação" e "protagonismo", que torna a crítica difícil: quem questiona passa por atrasado ou autoritário. A reforma avança precisamente porque soa como progresso, e a pergunta sobre o que se pretende fazer com os alunos raramente chega a ser formulada. O título não é casual. O "Maquiavel" do livro é o pedagogo que, como o príncipe, julga que os fins justificam os meios e, por isso, esconde os fins.
Asas ou correntes?
Quem aceita a tese enxerga uma coerência inquietante: se a escola é, antes de tudo, instrumento de transformação, o conteúdo deixa de ser o fim e vira pretexto. Ler com fluência, calcular com precisão e argumentar com rigor passam a ocupar lugar secundário diante da tarefa de "conscientizar". A leitura de Bernardin dialoga com duas tradições. A primeira é a de Antonio Gramsci, para quem a transformação social depende menos da tomada imediata do poder do que da conquista da hegemonia cultural, e para quem a escola, ao lado da imprensa e da Igreja, é uma trincheira decisiva. A segunda é a da Escola de Frankfurt e de sua teoria crítica, que tomou a cultura e a educação como terrenos de desconstrução da ordem social vigente.
Quem pode
Há ainda uma questão de justiça. As famílias de renda mais alta compensam as falhas da escola com colégios seletivos, aulas particulares, livros e viagens; os mais pobres dependem exclusivamente da escola pública. Por isso, qualquer desvio do foco no conteúdo é regressivo: aprofunda a desigualdade em nome de combatê-la. Não é um dado menor que, entre 2022 e 2025, tenha aumentado no Brasil a distância em matemática entre os 10% de estudantes com as melhores notas e os 10% com as piores. Quem tem alternativas aprende apesar da escola; quem não tem aprende só o que a escola ensina.
Deveria ser
Educar é, antes de tudo, introduzir as novas gerações no patrimônio de conhecimento que a humanidade acumulou, para que possam compreendê-lo, criticá-lo e, se for o caso, superá-lo. Isso exige alfabetização sólida nos primeiros anos, matemática ensinada com método, língua portuguesa dominada, história e ciências ensinadas como saber, e não como militância. Exige professores com autoridade intelectual, alunos a quem se pede esforço e famílias tratadas como as primeiras responsáveis pela formação moral dos filhos. Uma escola que informa e ensina a pensar forma cidadãos livres; uma escola que conduz o pensamento a conclusões previamente escolhidas forma militantes, quaisquer que sejam as conclusões.
A frase que foi pronunciada:
"Preparamos as crianças para aprender a aprender, não para fazer uma prova."
Pasi Sahlberg
História de Brasília
As pessoas que procuram a Coletoria Federal de Brasília reclamam que há poucos funcionários para o trabalho. A averbação de contratos ou recibos é feita râpidamente, mas, às vêzes, os funcionários ficam presos a leituras de longos contratos, em prejuízo do funcionamento mais rápido do serviço.( Publicada em 27/5/1962)
Opinião
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