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A escola brasileira se renova

O país tem bons donos da prancheta. Basta olhar para a classificação do Campeonato Brasileiro com o mínimo de boa vontade

A prova de títulos e o sucesso dos técnicos importados no futebol brasileiro têm fechado os olhos para o relevante trabalho de renovação na escola brasileira. Sim, o país tem bons donos da prancheta. Basta olhar para a classificação do Campeonato Brasileiro com o mínimo de boa vontade e julgar a gravação inteira do trabalho, não somente os cortes, usando a linguagem dos tempos de produção de conteúdo para redes sociais.

A evolução de Filipe Luís, atual campeão nacional e continental, tem consistência. Perto de completar dois anos como técnico profissional, o ex-lateral ostenta Libertadores, Brasileirão, Copa do Brasil, Carioca, Supercopa do Brasil e um vice na Copa Intercontinental, decidido nos pênaltis contra o todo-poderoso Paris Saint-Germain. Derrotou o Chelsea na fase de grupos da Copa do Mundo de Clubes da Fifa e peitou o Bayern de Munique nas oitavas de final do mesmo torneio. Um currículo extenso, construído em tão pouco tempo.

A régua dos resultados leva em conta a quantidade — e a relevância — dos troféus. Há quem enxergue a capacidade de adaptação a diferentes cenários. No Flamengo, Filipe Luís tinha o melhor e mais caro elenco da América do Sul à disposição. Isso permitiu que conquistasse a Série A no ano passado com média de 62,1% de posse de bola.

Filipe Luís não tem o elenco mais rico, muito menos o melhor, do Campeonato Francês. Isso pertence ao PSG, óbvio. Líder invicto depois de seis rodadas, inclusive com um triunfo contra os atuais bicampeões da Champions League liderados por Luis Enrique, o jovem técnico catarinense de 41 anos ocupa o 14º lugar em posse de bola na Ligue 1, com 47%. Não existe fórmula pronta. Seu repertório admite variáveis — e isso é ótimo.

Leonardo Jardim, no Flamengo, e Abel Ferreira, no Palmeiras, disputam a sucessão de Filipe Luís no trono do Brasileirão, mas sigo chamando a atenção para a nova safra brasileira. Odair Hellmann faz um belíssimo trabalho no Athletico-PR. Saiu do vice-campeonato na Série B do ano passado para o terceiro lugar na primeira divisão em 2026. Foi auxiliar de Rogério Micale na conquista da inédita medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio-2016. Levou o Internacional à final da Copa do Brasil em 2019. Há consistência.

Rogério Ceni tem dez anos de carreira. É um raro campeão mundial em 1994 ou 2002 com trajetória perene no futebol. O currículo reúne títulos da Série B, em 2018, pelo Fortaleza; da elite, em 2020, à frente do Flamengo; além de conquistas da Copa do Nordeste, do Cearense, do Baiano e do Carioca. O ex-goleiro entrega mais: conceito de jogo e personalidade. Isso ajuda a explicar não apenas os três anos, um mês e oito dias de estabilidade no cargo e o quinto lugar no Brasileirão, mas também as convocações recentes do meia Jean Lucas e do lateral Luciano Juba por Ancelotti.

Para encerrar nosso encontro de sábado, cito outros três nomes da nova safra. Sim, o Coritiba está perdendo fôlego no Brasileirão, mas Fernando Seabra é muito promissor. André Jardine, protagonista do ouro em Tóquio-2020 e do sucesso no América do México, e Sylvinho, comandante da Albânia na Euro-2024, encontraram no "exílio" um caminho para crescer, longe da máquina de moer técnicos do futebol brasileiro.

 

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