Judiciário

Intervenção contra Witzel foi "totalmente" exagerada, diz Ibaneis

Em entrevista ao Correio, governador argumentou que pandemia surpreendeu a todos e que é preciso "esclarecer os fatos"

Correio Braziliense
postado em 03/09/2020 15:31
"Nenhum dos 27 governadores" foi eleito para lidar com a pandemia, declarou Ibaneis - (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)

Para o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), a ação que levou ao afastamento do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) trata-se de um excesso por parte do Judiciário. Witzel foi afastado do cargo após indícios encontrados pela Polícia Federal e Ministério Público Federal de faria parte de organização criminosa que negociava vantagens com agentes públicos e lavaria dinheiro. Indagado, em entrevista ao Correio, Ibaneis classificou o episódio como “totalmente” exagerado.

“Totalmente (exagerada). A intervenção do Judiciário, neste momento, mostra-se um pouco exagerada, até porque nós temos que esclarecer os fatos durante uma pandemia que ninguém esperava”, afirma. No entanto, traçando paralelo entre as investigações que atingiram a Saúde no Rio de Janeiro e a Saúde no próprio Distrito Federal, ele avalia como correto o afastamento do colega governador, em vez de sua prisão - como ocorreu com o ex-secretário de saúde do Distrito Federal, Francisco Araújo, medida que considerou excessiva.

"Se era uma questão de continuidade do delito, que eles dizem haver, bastava o afastamento dos cargos. Não era necessário colocar na prisão. Isso eu falo como jurista que sou. Então, nós temos casos como o do Rio de Janeiro em que o governador (Wilson Witzel) foi afastado, mas não precisou prendê-lo. Acho que a medida foi um pouco além do que era necessário.

Wilson Witzel Witzel foi afastado no âmbito da operação Tris in Idem, quando foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra o governador, o vice-governador, Cláudio Castro, e o presidente da Alerj, André Ceciliano (PT). A investigação aponta, segundo o MPF, que a partir da eleição de Witzel, se estruturou uma organização criminosa no governo, dividida em três grupos, que disputavam o poder por meio de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Eles seriam liderados por empresários e lotearam secretarias estaduais, como a da Saúde. Conforme apurado, o governador teria recebido propinas e utilizado o escritório de advocacia da sua esposa, Helena Witzel, para lavagem de dinheiro.

 

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