Investigação

Wassef nega injúria racial: "meu pai mesmo tem cabelo bem pixaim"

Em sua defesa, o advogado afirmou ao Correio "já namorei uma negra" e que o avô seria "meio mulato"

Jéssica Gotlib
postado em 13/11/2020 12:08 / atualizado em 13/11/2020 12:57
Em depoimento, funcionários da pizzaria afirmaram que Wassef é conhecido no local por ser
Em depoimento, funcionários da pizzaria afirmaram que Wassef é conhecido no local por ser "arrogante" - (crédito: Sergio Lima/AFP)

O advogado Frederick Wassef voltou a se defender da acusação de injúria racial contra uma funcionária de uma pizzaria de Brasília. Em entrevista divulgada nesta sexta-feira (13/11), ele disse que não é racista e usou relações pessoas como exemplo de que não se comporta de maneira discriminatória.

Em entrevista ao Correio, Wassef deu início à sua defesa alegando que todo o episódio é fantasioso e que tudo que fez foi reclamar da qualidade da pizza servida. "Eu fui acusado de forma falsa, mentirosa, criminosa e fraudulenta, de ter dito a essa moça o seguinte: olha, eu não quero ser atendido por você, por que você é uma negra. Você é uma macaca, e não quero ser atendido. Ela não é negra, ela não é negra. Preciso falar mais alguma coisa para comprovar a fraude, que é uma armação?", questionou.

O ex-advogado da Família Bolsonaro também negou ser racista. "Meu avô paterno, pai do meu pai, é mulato. Eu namorei uma negra, tenho amigos meus que são negros. Isto não existe. Isso, o senhor, poder ver, vem numa esteira de uma série de armações e fraudes que eu venho sofrendo", se defende. Já em entrevista à colunista Bela Megale, do jornal O Globo, Wassef foi além na justificativa familiar: “Não sou racista. Inclusive, meu pai mesmo tem o cabelo bem pixaim, encaracolado”.

Denúncia

O caso foi registrado na 1ª Delegacia de Polícia da Asa Sul e a vítima preferiu não se identificar. Segundo o Boletim de Ocorrência, essa é a segunda vez que Wassef humilha a mulher, que trabalha há três meses no local. Os relatos dizem ainda que ele é frequentador recorrente do estabelecimento e é conhecido por ser “arrogante” e ofender os funcionários. Além de ouvir as testemunhas, os policiais vão analisar as imagens das câmeras de segurança do local para averiguar o caso.

Negando os relatos, o acusado disse que apenas reclamou que a pizza estaria crua. “Quando ela passou a me destratar, batendo de frente comigo, falando que eu fui o único que reclamou, eu disse, ‘puxa, um cliente fazendo uma sugestão e você me repreende’. Paguei, virei as costas e fui embora. O resto é invenção”, relatou. Ele se acha “vítima de uma armadilha” e afirmou que registrou boletim de ocorrência por denunciação caluniosa.

Volta aos holofotes

Frederick Wassef voltou a ter a imagem nas manchetes em todo o país em meados de junho deste ano, depois que Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro e então foragido da justiça, foi encontrado em uma casa que pertence a ele. Na época, o advogado afirmou que Queiroz “não estava sendo procurado”, apesar da operação policial feita sob sigilo para prendê-lo.

Alguns dias depois, o advogado mudou o tom da justificativa dizendo que o ex-policial militar estaria sendo ameaçado de morte por “forças ocultas” e que o possível assassinato de Queiroz recairia sobre a família Bolsonaro. Essa foi a segunda justificativa dada por Wassef para esconder o ex-assessor na própria casa.

Publicamente afastado da família Bolsonaro desde então, o advogado foi flagrado pelo jornal Folha de São Paulo em visita ao Palácio do Planalto na terça-feira (10/11). Entretanto, ele negou ter ido ao local e disse ao blog de Andréia Sadi que apenas “passou” pelo estacionamento.

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