Crise hídrica

Bolsonaro defende privatização da Eletrobras para ‘evitar caos no sistema energético’

Perguntado por apoiador bolsonarista se haveria aumento de tarifas de preços na conta de luz no país, presidente chamou o homem de "sindicalista"

Ingrid Soares
postado em 16/06/2021 11:39 / atualizado em 16/06/2021 11:40

Para evitar o que chamou de “caos no sistema energético”, o presidente Jair Bolsonaro defendeu nesta quarta-feira (16/6) a privatização da Eletrobras. A declaração foi dada a um apoiador que o questionou na saída do Palácio da Alvorada. Segundo o mandatário, "quase tudo que é público é levado para a corrupção".

“Não vou discutir, não. Está no Senado. Tudo que é público... Quase tudo que é público... Não vou discutir contigo. Não vim discutir com ninguém aqui. Agora, quase tudo que é público é levado para a corrupção. Olha, como é que eram estatais no passado? A Caixa Econômica, em dois anos, dá mais lucro que nos 10 anos anteriores", alegou.

Perguntado pelo bolsonarista se haveria aumento de tarifas de preços no país, o presidente se alterou, chamando o homem de “sindicalista”. “Você sabe o imposto que é pago, na sua cidade, de luz? Se não sabe, não discuta comigo. Eu sei que você é sindicalista, esse discurso não vou aceitar discutir aqui, sobre privatização. Se não privatizar, acaba. Vamos ter um caos no sistema energético no Brasil”, rebateu.

Com a chegada do período de estiagem na maior parte do país, os reservatórios de água que concentram algumas das principais hidrelétricas sofrem esvaziamento, o que torna a produção energética mais difícil e cara. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a escassez de chuvas no país para a geração de energia é a pior em 91 anos.

Alguns dos principais reservatórios para a produção energética do país, localizados no Centro-Oeste e no Sudeste, estão no pior nível em 22 anos. São eles: Marimbondo e Água Vermelha, em São Paulo e Minas Gerais, na bacia do rio Grande; Nova Ponte (MG); Itumbiara e São Simão, no rio Parnaíba, entre Goiás e Minas Gerais.

O governo tem nas mãos uma medida provisória que cria condições para adoção de um racionamento de energia. A MP propõe a formação de um grupo que poderá mudar a vazão de hidrelétricas de forma imediata, sem aval de outros órgãos, estados e municípios.

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