COP26

COP26: Brasil assinará acordo internacional para preservação de florestas

Na Conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, em Glasgow, país assinará acordo para a preservação das florestas. Compromisso sinaliza intenção do governo de alterar o rumo da política ambiental, alvo de críticas internacionais

Jorge Vasconcellos
Ingrid Soares
postado em 30/10/2021 06:00 / atualizado em 30/10/2021 08:38
Área desmatada na Amazônia:: acordo a ser assinado pelo Brasil deve prever o combate a essa prática -  (crédito: Carlos Fabal/AFP - 25/8/19)
Área desmatada na Amazônia:: acordo a ser assinado pelo Brasil deve prever o combate a essa prática - (crédito: Carlos Fabal/AFP - 25/8/19)

País que abriga 60% da Amazônia, o Brasil assinará, durante a COP26, em Glasgow, na Escócia, um acordo internacional essencial para a preservação das florestas. A informação é do secretário de Assuntos Políticos Multilaterais, Paulino Franco de Carvalho Neto, do Ministério das Relações Exteriores.
“Enviamos comunicação formal aos promotores da iniciativa, confirmando nossa adesão. Isso demonstra, uma vez mais, a nova postura brasileira de compromisso com os temas de desenvolvimento sustentável e especificamente sobre mudança do clima”, disse. “O Brasil tem a expectativa de que as maiores economias mundiais farão também sua parte, em especial na redução do uso de energias fósseis, causa principal do aquecimento global”, acrescentou.

O Forest Deal — acordo sobre preservação das florestas — é um dos maiores pontos da COP26, que ocorrerá de amanhã até 12 de novembro. O documento busca permitir a definição de objetivos claros, em nível mundial, sobre a redução do desmatamento e da degradação dos solos até 2030.
Relatório do coletivo de ONGs Observatório do Clima mostra que as emissões de CO2 do Brasil aumentaram 9,5% em 2020, apesar de a média mundial ter caído em 7% devido à pandemia de coronavírus, que reduziu o transporte e a produção industrial. A exceção é devido ao “aumento do desmatamento no ano passado, em especial na Amazônia, que colocou o Brasil na contramão do planeta”, apontou o Observatório do Clima.

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou, na segunda-feira, que o Brasil deveria se apoiar nas “armas da diplomacia” para defender seus interesses sobre a Amazônia em Glasgow e negociar “para que o país seja compensado” por preservar o bioma.

Mais uma vez, o presidente Jair Bolsonaro não participará da COP. Ele será representado pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, apesar de estar na Europa para a reunião do G20, em Roma (leia reportagem abaixo). Segundo o Palácio do Planalto, “por motivo de agenda”, o chefe do Executivo enviou um vídeo gravado aos organizadores do evento.

Mourão saiu em defesa de Bolsonaro e disse que ele tem uma “equipe robusta” para representá-lo. “O presidente Bolsonaro sofre uma série de críticas. Então, ele vai chegar a um lugar em que todo mundo vai jogar pedra nele? Está uma equipe robusta lá, com capacidade para levar adiante a estratégia de negociação”, frisou.

Pressão

Especialistas ouvidos pela reportagem destacaram que o Brasil será mais pressionado em relação à redução do desmatamento na Amazônia e da emissão de gases do efeito estufa. Para eles, a reunião apresenta uma oportunidade de reverter a imagem negativa do país internacionalmente. Já a ausência do presidente à reunião foi lida como uma tentativa de proteger a comitiva brasileira de desgaste, além de evitar protestos populares contra o governo.

O primeiro vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa da Câmara, deputado Rubens Bueno (Cidadania-PR), atribuiu a ausência de Bolsonaro à falta de importância que o presidente dá à conservação ambiental e à péssima imagem internacional do Brasil nas questões sobre o tema.
“O Brasil está em uma encruzilhada de oportunidades e também de riscos significativos. A tolerância com a grilagem de terras e com as ilegalidades ambientais está exposta internacionalmente, o que implica perder atratividade para investimentos e oportunidades comerciais”, ressaltou.

O pesquisador Carlos Nobre, um dos mais respeitados estudiosos das mudanças climáticas globais, considera que o Brasil chega à COP26 cercado de desconfianças, em razão da política ambiental adotada pelo governo Bolsonaro. “Há um pico no desmatamento da Amazônia, degradação do cerrado, do Pantanal”, elencou.

André Lima, coordenador do projeto Radar Clima e Sustentabilidade e ex-secretário de Meio Ambiente no DF, argumentou que não adianta Bolsonaro mudar a meta se continuar somente no discurso. “Se vai apresentar uma nova meta é importante que seja transformada em lei para não ficar só no discurso do presidente”, frisou. “Se realmente é ousada e compatível com as ambições de todos os países em relação ao Acordo de Paris, tem de entrar na Política Nacional de Mudança do Clima para valer como lei.” (Com informações da AFP)

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