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De volta a Brasília após morte da mãe, Bolsonaro cancela agenda oficial

Correio questionou o Planalto a respeito do cancelamento da agenda desta segunda-feira (24/1), mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem

Ingrid Soares
postado em 24/01/2022 15:34 / atualizado em 24/01/2022 15:35
 (crédito:  Clauber Cleber Caetano/PR))
(crédito: Clauber Cleber Caetano/PR))

O presidente Jair Bolsonaro (PL) cancelou a agenda desta segunda-feira (24/1). Pela manhã, a mesma foi atualizada para "sem compromisso oficial". Na versão anterior, o chefe do Executivo participaria no começo da tarde de uma reunião com o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães. Até as 16h, Bolsonaro ainda se encontraria com o subchefe para Assuntos Jurídicos da Secretaria-Geral da Presidência, Pedro Cesar Sousa, e com o ministro de Estado Chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos.

No final da tarde, o presidente participaria do evento de lançamento do Programa Nacional de Prestação de Serviço Civil Voluntário, que ocorreria no Palácio do Planalto e foi remarcado para a próxima sexta-feira (28).

O Correio questionou o Planalto a respeito do cancelamento da agenda, mas até a publicação desta reportagem não obteve retorno. No último dia 21, o presidente cumpriu agenda oficial no Suriname, de onde seguiria para a Guiana. Ao saber da morte da mãe, cancelou os compromissos e retornou ao Brasil. Ele chegou a Eldorado no meio da tarde de sexta-feira, onde participou do velório e do enterro de Dona Olinda, de 94 anos.

Um dia depois, antes de voltar a Brasília, Bolsonaro saiu da residência da mãe, onde passou a noite, e, acompanhado do filho, o senador Flávio (PL-RJ), foi a uma lotérica da cidade onde apostou na Mega-Sena. Ele postou a foto nas redes sociais, com a legenda "Dia 22, ano 22, 22 mi acumulado".

Na mesma data, Bolsonaro disse que o número de crianças mortas em virtude da covid-19 é "insignificante".

Prosul

A previsão é de que nos dias 26 e 27 de janeiro, o chefe do Executivo desembarque em Cartagena, na Colômbia, onde ocorrerá a Cúpula do Prosul. Apesar das viagens na América do Sul, Bolsonaro já afirmou que não comparecerá à posse do presidente eleito do Chile, Gabriel Boric, da coalizão esquerdista Aprovo Dignidade. O governo brasileiro só parabenizou o presidente eleito quatro dias após sua vitória. O evento está marcado para o dia 11 de março. Bolsonaro tampouco deverá comparecer à posse da eleita Xiomara Castro, de Honduras, no próximo dia 27.

Em fevereiro, o presidente deve ir à Rússia para um encontro com o presidente Vladimir Putin, que está sob pressão dos Estados Unidos e da União Europeia. O ditador russo está a um passo de autorizar a invasão à Ucrânia.

Perguntado no último dia 19 se sua visita ao país poderia ser lida como um apoio no impasse entre o país russo e a Otan, Bolsonaro negou.

"Não, não. O Itamaraty vê essa questão aí. A gente não está saindo do Brasil para criar problemas, animosidades. Sabemos do problema com a Rússia. Sabemos disso aí, tá? A Rússia é um parceiro nosso. Temos compras de fertilizante, por exemplo, potássio, entre outras coisas. Então, é uma viagem que interessa para nós e para eles. O convite veio deles, e se nós aceitamos é porque temos interesse. Se eles convidaram, é porque tem um interesse também”, justificou. No entanto, para embaixadores ouvidos pela reportagem, a visita neste momento é desaconselhada.

Após a visita ao território russo, o presidente afirmou que deverá visitar a Hungria e a Polônia, países liderados pelos políticos de ultra-direita Viktor Orbán, primeiro-ministro e Andrzej Duda, presidente polonês.

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