IMPEACHMENT

Barroso admite que impeachment de Dilma ocorreu por motivações políticas

Em artigo, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso afirmou que "motivo real" do afastamento da petista não foi por pedaladas fiscais, mas, sim, por falta de apoio político

Luana Patriolino
postado em 03/02/2022 16:59 / atualizado em 03/02/2022 17:00
 (crédito: Flickr/STF)
(crédito: Flickr/STF)

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), admitiu que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi causado por falta de apoio político. Em artigo para a edição de estreia da revista do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), o magistrado apontou que "o motivo real" para o afastamento da petista não foi por conta das “pedaladas fiscais”, como foi alegado no processo.

"A justificativa formal foram as denominadas 'pedaladas fiscais' — violação de normas orçamentárias —, embora o motivo real tenha sido a perda de sustentação política", afirmou Barroso. A publicação será lançada no próximo dia 10 e tem Hussein Kalout, ex-secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência, como um dos editores.

Barroso ainda comentou sobre a atuação do ex-presidente Michel Temer que sucedeu Dilma. "Assumiu o cargo até a conclusão do mandato, tendo procurado implementar uma agenda liberal, cujo êxito foi abalado por sucessivas acusações de corrupção. Em duas oportunidades, a Câmara dos Deputados impediu a instauração de ações penais contra o presidente”, relembrou.

Apesar de reconhecer que Dilma foi afastada por motivos políticos, o ministro já afirmou, em diversas ocasiões, que não vê inconstitucionalidade no impeachment da petista. Para Barroso, do ponto de vista jurídico, não há golpe “porque se cumpriu a Constituição".

 

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