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Eleições: Aécio Neves diz haver uma "obstrução" da terceira via

Para o ex-governador de Minas Gerais, a população precisa ter um candidato para além da polarização Lula-Bolsonaro. Deputado do PSDB deu entrevista ao Correio nesta quarta-feira (23/3)

Maria Eduarda Angeli*
postado em 23/03/2022 16:22 / atualizado em 23/03/2022 16:23
 (crédito: Minervino Júnior/CB/DA.PRESS)
(crédito: Minervino Júnior/CB/DA.PRESS)

O PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) segue dividido quanto às candidaturas à Presidência da República. Com uma parcela do partido ainda apoiando o governador de São Paulo, João Doria, que venceu as prévias da legenda, e outra defendendo Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, o futuro parece incerto. A cena também deixa incógnitas em relação à consolidação da terceira via, ansiada por muitos em meio à polarização Lula-Bolsonaro.

Uma das siglas mais tradicionais no país, o PSDB costuma ser responsável por um bom número de candidaturas no período eleitoral. De acordo com o deputado federal Aécio Neves, que chegou a disputar o segundo turno da corrida presidencial contra Dilma Rousseff em 2014, o partido é “essencial” ao Brasil. “Goste-se ou não do PSDB, ele é um partido programático, nasceu como um partido que defendia o parlamentarismo, que defendia responsabilidade fiscal. Liberal na economia e também com políticas claríssimas de integração de inclusão social.”

Aécio foi o entrevistado desta quarta-feira (23/3) no CB.Poder — uma parceria do Correio com a TV Brasília. No programa, o deputado disse não acreditar que a reeleição do atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PL), seja a melhor opção — tampouco o retorno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao cargo. Sendo assim, opinou, o país precisa de alguém em quem queira votar, e não por quem vai optar para evitar uma alternativa pior.

“Eu vejo que há hoje uma certa obstrução da terceira via”, declarou. Segundo a projeção de Aécio Neves, com exceção da candidatura de Ciro Gomes (PDT), as demais têm possibilidade de convergir em torno de um só nome, o que aconteceria até o final do mês de maio.

O ex-governador de Minas Gerais comentou ainda a investida de Geraldo Alckmin (recém-filiado ao PSB) como vice da chapa de Lula na corrida para o Palácio do Planalto. "Sou amigo de Geraldo Alckmin desde a Constituinte, desde 1988. É um homem de bem, correto, trabalhador e terá sempre a minha amizade, mas eu digo de forma muito clara aquilo que já disse a ele: acho que ele comete um equívoco grave”, ponderou.

Doria x Leite

O parlamentar afirmou que as prévias da legenda foram realizadas de forma extemporânea, para atender interesses do governador de SP. Para ele, a votação ocorreu no momento errado. “Eu tinha uma proposta formal, como membro do executivo nacional, de que elas ocorressem agora em março, porque é mais próximo do ambiente eleitoral”, apontou.

Aécio aproveitou para destacar sua visão favorável a Eduardo Leite, que, conforme alegou, tem uma capacidade de alianças significativamente maior do que qualquer outro candidato colocado no cenário eleitoral. “Nós não podemos ficar presos nessa camisa de força que foram essas prévias, que foram ganhas — isso é notório — principalmente com a força da máquina do governo de São Paulo”. Na opinião dele, a ascensão de Leite pode fazer a legenda voltar a ter protagonismo na construção do futuro do Brasil.

De acordo com o deputado, porém, as divisões na legenda nesse sentido são naturais: “O PSDB sempre conviveu com isso. Mas o PSDB soube, nos momentos decisivos, colocar os interesses do país sempre acima dos interesses individuais”.

Confira a entrevista na íntegra:

*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

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