Meio Ambiente

Bolsonaro: preservação da Amazônia não é reconhecida "por questões ideológicas"

Segundo o presidente, o Brasil é um exemplo de preservação ambiental, mas outros países não reconhecem isso. O presidente ainda elogiou Ricardo Salles

Ingrid Soares
postado em 13/04/2022 20:57 / atualizado em 13/04/2022 20:58
 (crédito: Reprodução/Foco do Brasil)
(crédito: Reprodução/Foco do Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta quarta-feira (13/4), que o Brasil é exemplo em preservação ambiental e que, segundo ele, “na prática, o mundo sabe, e por questões ideológicas ou econômicas não reconhece”. A declaração ocorreu durante participação no evento de lançamento do Certificado de Crédito de Reciclagem Recicla+ e do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, ocorrido no Palácio do Planalto.

A informação dita pelo presidente não é verdadeira. De acordo com relatório do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, o desmatamento na Amazônia cresceu 56,6% durante a atual gestão.  Bolsonaro ainda cortou R$ 35,1 milhões de reais do orçamento do Ministério do Meio Ambiente. Cerca de R$ 25,8 milhões da verva iria para o Ibama, e metade para ações de prevenção ao desmatamento e controle de incêndios florestais


Bolsonaro ainda elogiou os nomes que passaram pelo Ministério do Meio Ambiente durante o governo dele. “Elogio o Ricardo Salles e Juca (Joaquim Leite) que deu prosseguimento à política de forma bastante dinâmica. Só alguns números para provar o quanto o Brasil preserva o seu meio ambiente. Na prática, o mundo sabe, e por questões ideológicas ou econômicas não reconhece. O Brasil é exemplo para o mundo na questão ambiental. O Brasil tem uma legislação ambiental que nenhum país do mundo tem e cumpre. Dois terços do nosso território são preservados. A Europa pelo que eu sei, parece que lá não se vê mata ciliar, às vezes que eu voei, sei que é bastante alto, a gente não vê matas ciliar, não vê florestas. E lá fora se fala em reflorestar o Brasil e não o seu país. Mas sabemos que é uma briga comercial acima de tudo”, alegou, emendando que “o Brasil cada vez mais se apresenta de forma altiva perante o mundo”.


“Só em latinhas de alumínio coletadas mais de 98% foi recolhido. Também óleos lubrificantes 566 milhões de litros coletados. Embalagens e defensivos agrícolas 53 mil toneladas recicladas. Lixo eletroeletrônico mais de 400 ponto de coletas”, elencou.

Reeleição

Bolsonaro também aproveitou a ocasião para criticar indiretamente o ex-presidente Lula e acenar à população em uma eventual reeleição. “O Brasil é um país que está de braços abertos, é um país livre, democrático que não quer retornar àquilo que era há pouco tempo: um país voltado a uma ideologia que não deu certo em lugar nenhum do mundo e a manutenção de tudo isso está nas mãos da nossa população. Nós respeitamos a vontade popular e eu sei que a grande maioria da população vai optar cada vez mais pela paz, pela tranquilidade, pela harmonia, pela democracia, e acima de tudo, pela nossa liberdade”.


Sobre a alta dos preços dos combustíveis, o presidente reconheceu a inflação, mas disse que o país foi um dos que menos aumentou os valores dos insumos. “O petróleo, gasolina, diesel, um dos que menos aumentou de preço foi o Brasil. Aumentou bastante? Reconhecemos que sim, mas foi um dos que menos aumentou. Isso, obviamente, é um trabalho em equipe de ministros, servidores secretários e da iniciativa privada", disse. 

Recicla + e Plano Nacional de Resíduos Sólidos

O Ministério do Meio Ambiente informou que o Certificado de Crédito de Reciclagem Recicla proporciona a injeção de investimentos privados na reciclagem de produtos e embalagens descartados pelo consumidor. A pasta estima que a medida possa potencializar a entrada de cerca de R$ 14 bilhões de investimentos, ao ano, no setor da reciclagem, que corresponde à estimativa do quanto o país deixa de ganhar atualmente ao não reciclar materiais.


Através do Certificado de Crédito de Reciclagem cooperativas de catadores, prefeituras, consórcios, iniciativa privada e microempreendedores individuais (MEI) poderão, a partir da nota fiscal eletrônica emitida pela venda de recicláveis, solicitar o certificado de crédito de reciclagem. Ele é a garantia de que embalagens ou produtos sujeitos à logística reversa foram, de fato, restituídos ao ciclo produtivo.


“Todas as notas fiscais eletrônicas utilizadas para a emissão do crédito de reciclagem passarão por um rigoroso processo de homologação, realizado por verificador independente, que irá garantir a veracidade, autenticidade e unicidade da nota, além da rastreabilidade do material coletado. Há ainda o ateste do retorno da massa ao setor produtivo, realizado pelo reciclador final. Assim, a operação do sistema é validada por diferentes partes interessadas. Todo o processo ocorre eletronicamente. Cada tonelada equivale a um crédito, que pode ser comercializado junto a empresas que precisam comprovar o atendimento às metas de logística reversa”, diz trecho da nota. 


Já o Plano Nacional de Resíduos Sólidos assinado pelo presidente, institui o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares), instrumento da Política Nacional de Resíduos Sólidos que prevê a melhoria da gestão de resíduos sólidos no país.


“Além do encerramento de todos os lixões, é previsto o aumento da recuperação de resíduos para cerca de 50% em 20 anos. Assim, metade do lixo gerado deverá deixar de ser aterrado e passará a ser reaproveitado por meio da reciclagem, compostagem, biodigestão e recuperação energética. Atualmente, apenas 2,2% dos resíduos sólidos urbanos são reciclados”, diz o trecho da nota do Ministério. O plano prevê ainda o aumento da reciclagem de resíduos da construção civil para 25%.

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