ELEIÇÕES

Moraes afasta rumores de que inquérito das fake news será arquivado

Em palestra, ministro do STF afirmou que processo das fake news continua e que está próximo de financiadores. Magistrado também citou a desinformação como principal desafio para o pleito deste ano

Luana Patriolino
postado em 29/04/2022 15:53
 (crédito: Rosinei Coutinho/SCO/STF )
(crédito: Rosinei Coutinho/SCO/STF )

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afastou os rumores de que o inquérito das fake news será encerrado. A declaração foi dada durante palestra para estudantes em uma universidade de São Paulo, na manhã desta sexta-feira (29/4). Moraes é relator do processo que investiga notícias fraudulentas, ofensas e ameaças contra os ministros da Corte.

Moraes afirmou que não pretende arquivar o inquérito, pois está chegando aos financiadores das notícias falsas. “As pessoas não entendem que a investigação tem o seu momento público, e tem seu momento sigiloso, que no mais das vezes é o mais importante, em que vai costurando as atividades ilícitas que a Polícia Federal está investigando em relação a isso”, disse.

Segundo o ministro, o combate à desinformação é o maior desafio do Judiciário nas eleições deste ano. “A verdade é que ninguém esperava isso [em 2018], ninguém estava preparado. Como disse, o maior erro é subestimar e ficar repetindo 'só falam para as bolhas', 'ah, quem tem cabeça olha, sabe que a notícia é falsa'. Não é verdade isso, é tudo direcionado por algoritmos."

Atuação do Judiciário

A respeito da atuação do STF, Alexandre de Moraes afirmou que "o poder Judiciário e a magistratura não existem para ser simpáticos". "O poder Judiciário simpático é poder judiciário populista, Deus nos livre de morarmos num país onde o poder Judiciário joga para a plateia. Não significa que o poder Judiciário vai ignorar a sociedade, que é outra desinformação repetida", disse.

Moraes ainda usou familiares como exemplo para mostrar que há uma rede de produção de fake news e que não são pessoas, de forma isolada, que alimentam a desinformação.

"É diferente, todo mundo tem uma avó ou uma tia que vê a desinformação e passa. Não é ela. Tem toda uma produção, um financiamento. 'Ah, quem te mandou?' Eu pergunto isso para a minha mãe. 'Mas você leu, você viu? Ah, muito grande, né? Estava bonitinho no começo. Mas você viu que fala mal do seu filho? Ah, não?!' Apesar de acharem que sou mal, não vou prender minha mãe por causa disso" , brincou o ministro. 

 

 

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