8 DE JANEIRO

Cantor gospel foragido no Paraguai pede Pix para a mãe e reclama de Moraes

Ele, que foi para o Paraguai, disse que teve o refúgio político cancelado e agora habita o país vizinho ilegalmente

O cantor apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro fez um apelo de doações de 1 R$ ao público e divulga uma chave Pix em CPF de uma pessoa identificada como
O cantor apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro fez um apelo de doações de 1 R$ ao público e divulga uma chave Pix em CPF de uma pessoa identificada como "amiga da família" - (crédito: Reprodução/Instagram @Salomãovieira)
postado em 17/02/2024 10:22 / atualizado em 17/02/2024 10:22

Foragido há mais de um ano, o cantor gospel Salomão Vieira, um dos mobilizadores dos atos golpistas do dia 8 de janeiro, gravou um vídeo fazendo um apelo pedindo doações de "patriotas" para poder manter a si mesmo e a mãe, de 50 anos.

Ele, que foi para o Paraguai, disse que teve o refúgio político cancelado e agora habita o país vizinho ilegalmente. "São 14 meses longe da minha casa, da minha família, sem ter cometido crime algum. Perdi 15 kg em um ano", diz, com os olhos marejados de lágrimas.

O cantor apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro fez um apelo de doações de 1 R$ ao público e divulga uma chave Pix em CPF de uma pessoa identificada como "amiga da família".

Salomão afirma que o "único crime que cometeu" foi portar uma Bíblia e uma bandeira do Brasil. Ele admite que estava no Quartel-General do Exército, em Brasília, onde ministrava cultos, mas condena os ataques. Registros gravados por ele antes mostram uma outra história.

Salomão tinha um perfil do Instagram com mais de 300 mil seguidores e instruiu bolsonaristas aglomerados no Quartel-General do Exército, em Brasília, sobre como proceder ao longo do dia 8 de janeiro, quando vândalos invadiram o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Palácio do Planalto.

Ele gravou um vídeo horas antes falando para manifestantes se encontrarem no QG onde haveria uma conversa com os acampados e seriam passadas estratégias. "Nosso ponto de encontro é no QG. Lá vamos conversar com vocês, passar estratégias corretíssimas", disse horas antes. O jornal O Estado de S. Paulo o identificou como um dos 88 golpistas que premeditaram os atos vândalos no STF, no Congresso e no Palácio do Planalto.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes expediu mandado de prisão ao cantor gospel e suspendeu todas as contas nas redes sociais. Agora, ele usa canais de distribuição de mensagens no WhatsApp para poder espalhar as mensagens.

"Urgente patriotas. Enviem esse vídeo nos seus grupos do WhatsApp e ajude essa família", diz a publicação com um vídeo, em um canal do aplicativo de mensagens que Salomão usa para se comunicar. A página tem 354 integrantes.

No vídeo, Salomão também reclama de Moraes. "O ministro Alexandre de Moraes mandou me prender por crime de terrorismo, golpe de Estado e organização criminosa injustamente por conta do 8 de janeiro. Só vence em 2043, daqui a 20 anos", afirma, em um vídeo com música melodramática. "Quando ele soube que eu fugiria, ele bloqueou todas as minhas contas bancárias e da minha mãe, de 50 anos de idade."

Depois do vandalismo às sedes dos Três Poderes, Salomão inicialmente disse ter fugido para os Estados Unidos e depois seguiu rumo ao Paraguai.

Por lá, ele mesmo disse que escapou de ser preso. Em março de 2023, uma operação da Polícia Federal prendeu o humorista bolsonarista Bismark Fugazza, no Paraguai. Em um vídeo, Salomão disse ter estado com Bismark horas antes.

"Neste momento a polícia do Paraguai prendeu Bismark. Nós conseguimos fugir, estamos só a roupa do corpo", afirmou Salomão. Com os olhos lacrimejando, ele afirmou que estava com Bismark Fugazza, um humorista e influenciador bolsonarista. "A gente está desesperado. Nós não somos criminosos, muito menos ele", disse. Moraes mandou soltar Bismark em junho de 2023.

Gostou da matéria? Escolha como acompanhar as principais notícias do Correio:
Ícone do whatsapp
Ícone do telegram

Dê a sua opinião! O Correio tem um espaço na edição impressa para publicar a opinião dos leitores pelo e-mail sredat.df@dabr.com.br