Oriente Médio

Situação do Irã será o principal tema da cúpula do Brics

Bloco se reúne no começo de julho e pode ajudar nas interlocuções diplomáticas

Apesar de o presidente norte-americano Donald Trump ter anunciado que Israel e Irã concordaram com um cessar-fogo "completo e total", que passaria a vigorar nas próximas horas, a situação do país persa será o principal assunto da cúpula do Brics, em 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro. Isso porque, desde o ano passado, os iranianos integram o bloco, que inclui, também alguns dos seus principais aliados, como a Rússia e a China. Além disso, o grupo conta com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, duas importantes monarquias no Oriente Médico, que além de serem aliadas dos Estados Unidos, mantêm relações respeitosas com o regime dos aiatolás, em Teerã.

Os governos israelense e iraniano não confirmaram o cessar-fogo anunciado por Trump em uma rede social. Mas caso a trégua se concretize, isso não invalidaria, segundo fontes do Ministério das Relações Exteriores, o envolvimento do Brics — ou de países do bloco — na interlocução entre os governos de Teerã, de Tel Aviv e de Washington.

Por ora, a posição do governo brasileiro é a de acompanhar cautelosamente o conflito. Isso porque, apesar da trégua anunciada por Trump, isso não representa que as agressões cessem e que, com a eventual retomada do diálogo, não volte a ser interrompido — e os ataques sejam retomados.

Mas, na opinião de analistas da geopolítica do Oriente Médio, o Brasil não faz o movimento correto ao somente acompanhar a situação. Para o cientista político Marcos Coimbra, "o governo Lula demonstra uma política externa profundamente falha num momento de extrema tensão global". Ele considera que o silêncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva revela "uma postura de falsa equidistância que acaba por beneficiar o agressor".

A declaração do assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Celso Amorim, de que o cenário no Oriente Médio poderia desencadear uma "Terceira Guerra Mundial", também não ajuda, segundo Coimbra. Em recente entrevista, o embaixador aposentado afirmou que "estamos vivendo um momento perigoso pelas partes envolvidas, e perigoso para o mundo, porque há duas guerras com potencial de se alastrarem. Se essas duas guerras se comunicarem, teremos praticamente uma guerra mundial. Não digo uma guerra total, mas uma guerra com grande irradiação negativa, com reflexos na economia, no preço do petróleo".

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"É alarmista e irresponsável espalhar esse nível de pânico sem base factual robusta. Tal retórica prejudica seriamente a credibilidade do Brasil como eventual mediador ou voz ponderada", afirmou Coimbra.

Segundo ele, não há elementos objetivos hoje que sustentem um paralelo com as guerras mundiais do século XX: "Não existem blocos majoritários mobilizados para um confronto total. O discurso catastrofista apenas desvia a atenção das soluções diplomáticas concretas que a crise exige."

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