
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone nesta quinta-feira (8/1) com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, sobre a invasão dos Estados Unidos à Venezuela e os bombardeios a Caracas. Na ligação, os dois disseram ter “grande preocupação” com a interferência no continente, e apontaram que a ação americana viola o direito internacional, formando precedente “extremamente perigoso”.
“Os dois mandatários manifestaram grande preocupação com o uso da força contra um país sul-americano, em violação ao direito internacional, à Carta das Nações Unidas e à soberania da Venezuela”, disse o Planalto em nota sobre a ligação.
“E destacaram que tais ações constituem um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regionais e para a ordem internacional”, emendou.
O ataque dos Estados Unidos a Caracas no dia 3 de janeiro, com bombardeios e a captura do ditador Nicolás Maduro, gerou preocupação e temor com novos ataques na América do Sul. Em coletiva de imprensa, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que os EUA vão administrar a Venezuela, e se apropriar de parte do petróleo produzido pelo país.
Trump também ameaçou Petro. O republicano acusa o colombiano, sem provas, de produzir drogas e enviá-las ao território americano. Sugeriu ainda que a Colômbia pode ser alvo de operações militares, assim como a Venezuela. Após as ameaças, Petro e Trump conversaram, nesta quarta-feira (7/1), por telefone.
Libertação de presos
Já no telefonema de hoje, Lula e Petro concordaram que a situação na Venezuela deve ser resolvida “exclusivamente por meios pacíficos” e com respeito à vontade da população venezuelana. Também celebraram o anúncio feito hoje pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela sobre a libertação de presos venezuelanos e estrangeiros.
Lula também confirmou o envio de 40 toneladas de insumos à Venezuela para repor medicamentos de diálise destruídos durante os bombardeios de 3 de janeiro.
“Brasil e Colômbia reafirmaram sua intenção de seguir cooperando em prol da paz e da estabilidade na Venezuela, país com o qual compartilham extensas fronteiras. Recordaram, nesse contexto, os importantes contingentes de migrantes venezuelanos que têm acolhido nos últimos anos”, finaliza a nota do Planalto.

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