
Filho “02” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) enviou uma carta ao pai, preso na Superintendência Regional da Polícia Federal em Brasília por coordenar uma tentativa de golpe de Estado. Leia a mensagem na íntegra ao fim da matéria.
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O último encontro entre os dois foi na quinta-feira (8/1). Carlos relatou que tem feito o possível para ajudar Bolsonaro a “permanecer por perto” e, por isso, deixou a carta nessa segunda (12/1), “sempre tentando animá-lo”.
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“Escrevo não apenas como filho, mas como alguém que te viu resistir quando tudo parecia perdido. Vi seu corpo ferido, tua alma testada, tua honra atacada de formas que poucos homens suportariam sem cair. E, ainda assim, você permaneceu de pé - mesmo quando tentaram te dobrar pela dor, pela injustiça, pela humilhação calculada e pelo silêncio imposto”, começa o texto.
'Tortura' a Bolsonaro
Carlos chamou de “perseguição, tortura e imoralidade” a situação judicial do pai: “É a tentativa metódica de te esgotar por dentro, de te afastar de quem você ama, de te fazer acreditar que está sozinho. Mas você não está. Nunca esteve”.
Ele acredita que há um plano em curso para “quebrar moralmente” Bolsonaro.
“E é justamente por isso que resistir se tornou um ato de amor. Amor por nós, teus filhos. Amor por quem acredita em você. Amor pela verdade”, escreveu.
Carlos reafirmou o apoio da família ao pai e deixou uma mensagem de motivação, enfatizando que todos precisam dele “vivo, forte e de cabeça erguida”.
“A injustiça não vence homens íntegros. E você, pai, segue íntegro”, concluiu.
Carta de Carlos a Bolsonaro
"Pai,
Escrevo não apenas como filho, mas como alguém que te viu resistir quando tudo parecia perdido. Vi seu corpo ferido, tua alma testada, tua honra atacada de formas que poucos homens suportariam sem cair. E, ainda assim, você permaneceu de pé - mesmo quando tentaram te dobrar pela dor, pela injustiça, pela humilhação calculada e pelo silêncio imposto.
O que estão fazendo agora não é justiça. É perseguição, é tortura, é imoralidade. É a tentativa metódica de te esgotar por dentro, de te afastar de quem você ama, de te fazer acreditar que está sozinho. Mas você não está. Nunca esteve.
Cada dia que passa, pai, confirma aquilo que sempre soubemos: não é sobre erros, não é sobre leis - é sobre te quebrar moralmente. E é justamente por isso que resistir se tornou um ato de amor. Amor por nós, teus filhos. Amor por quem acredita em você. Amor pela verdade.
Quero que saiba que estamos aqui. Firmes. Atentos. Fortes por você, quando o cansaço aperta. Precisamos de você em pé, pai. Precisamos da tua lucidez, da tua presença, da tua voz - mesmo que agora tentem calá-la entre paredes frias, barulhentas, molhadas e decisões arbitrárias.
Você nos ensinou que dignidade não se negocia.
Que caráter não se curva.
Que a verdade pode até ser perseguida, mas nunca enterrada.
É isso que nos sustenta agora.
É isso que deve te sustentar.
Levante-se todos os dias com a certeza de que sua história não termina aqui.
Que seus filhos precisam de você vivo, forte e de cabeça erguida.
Que ainda há muito o que atravessar - e nós atravessaremos juntos.
A injustiça não vence homens íntegros.
E você, pai, segue íntegro.
Com amor, lealdade e esperança,
Carlos."

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