relações exteriores

Adesão ao "Conselho da Paz" pelo Brasil ainda é incógnita

Lula conversa com líderes de China, Índia, Turquia e Autoridade Palestina a fim de tentar construir um mosaico das diferentes percepções que cada um tem sobre a proposta do presidente Donald Trump para a reconstrução de Gaza

Lula e Trump se encontram na Malásia durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático -  (crédito: Ricardo Stuckert/PR)
Lula e Trump se encontram na Malásia durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - (crédito: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está longe de ter chegado a uma conclusão sobre a adesão do Brasil ao "Conselho da Paz", lançado por Donald Trump e que pretende reunir um grupo de países para recuperar e transformar a Faixa de Gaza, destruída pela guerra de Israel contra o Hamas, em reação ao massacre de 7 de outubro de 2023, quando terroristas assassinaram mais 1,2 mil pessoas — 251 foram levadas como reféns. Segundo fontes do Palácio do Planalto e do Ministério das Relações Exteriores, as condições impostas pelo presidente dos Estados Unidos são de difícil aceitação, mas, em contrapartida, dizer "não" à iniciativa — como fez a França — é algo que pode trazer prejuízos à delicada relação com a Casa Branca.

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Na quinta-feira, Lula tratou do assunto com o presidente da China, Xi Jinping, numa conversa que durou aproximadamente 45 minutos. Antes disso, debateu o mesmo tema com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e com os presidentes da Turquia, Recep Erdogan, e da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas. As conversas serviram para tentar dar ao presidente brasileiro um mosaico sobre o que representa para os quatro a iniciativa do presidente dos EUA.

No caso do líder chinês, escutou as impressões de alguém que está à frente da principal economia a fazer frente a dos EUA, e que representa uma ameaça para Washington. Em relação ao indiano, que viu as exportações para o território norte-americano serem pesadamente taxadas pela Casa Branca — tal como as do Brasil —, buscou uma visão sobre o que esperar da participação em um grupo em que o único que tem poder de veto é Trump — que, aliás, recebeu o chefe das Forças Armadas paquistanesas, marechal Asim Munir, em 19 de janeiro. Índia e Paquistão estão em guerra há mais de 75 anos.

Ao ouvir Erdogan, Lula obteve as opiniões de um líder muçulmano, de direita e considerado aliado do presidente norte-americano. No caso de Abbas, conversou com alguém que presenciou a destruição da Palestina e os ataques israelenses a Gaza — ele não é reconhecido pela Casa Branca e foi impedido de participar da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, em setembro passado.

Mas Lula, nos diálogos que manteve, buscou abrir frentes na relação bilateral. No caso da China, concluiu que o Brasil será recíproco ao decidir pela concessão da isenção de vistos de curta duração para algumas categorias de cidadãos do país asiático. Ele e Xi Jinping ainda endossaram a cooperação em áreas consideradas de fronteira do conhecimento, sinalizando interesse mútuo em inovação e desenvolvimento científico.

Na conversa, avaliaram os avanços alcançados desde a visita do líder chinês ao Brasil, em novembro de 2024, quando foi lançada a Comunidade de Futuro Compartilhado por um Mundo mais Justo e um Planeta mais Sustentável. Na conversa, destacaram as convergências entre os projetos nacionais de desenvolvimento, com ênfase em infraestrutura, transição ecológica e tecnologia.

 

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postado em 24/01/2026 03:55
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