
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que viajará aos Estados Unidos no início de março para um encontro bilateral com o presidente Donald Trump, na Casa Branca. A confirmação foi feita durante a chegada do chefe do Executivo brasileiro ao Panamá, onde participa, como convidado especial, do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, que ocorre nesta quarta-feira (28/1).
Em conversa com jornalistas, o petista destacou o peso político do diálogo direto entre os dois países e defendeu uma retomada do entendimento entre Brasília e Washington. “No começo de março eu vou fazer uma viagem a Washington porque os Estados Unidos e o Brasil são as duas principais democracias do Ocidente e eu acho que dois chefes de Estado precisam conversar olhando um no olho do outro, para que a gente possa discutir as boas relações entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou.
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Segundo o presidente, a expectativa é de que o encontro contribua para reduzir tensões e reforçar a cooperação internacional. “Eu estou convencido que a gente vai voltar à normalidade logo, que a gente vai fortalecer o multilateralismo e que a gente vai fazer com que as economias voltem a crescer, porque é isso que o povo espera de todos nós”, acrescentou.
A viagem foi confirmada um dia após Lula e Trump conversarem por telefone. De acordo com nota do Palácio do Planalto, os dois líderes trataram de temas sensíveis da agenda internacional, como a situação na Venezuela, o plano de paz para a Faixa de Gaza e o combate ao crime organizado.
Crise na Venezuela
Ainda no Panamá, Lula comentou a crise venezuelana e a presença militar dos Estados Unidos no Caribe. O presidente disse que já manteve dois contatos com a presidente interina do país, Delcy Rodríguez, logo após a invasão militar norte-americana em Caracas, e que pretende retomar a conversa nos próximos dias. “Eu conversei duas vezes com a presidente Delcy, mas não entrei em detalhe porque ela estava muito preocupada com os acontecimentos mais recentes. Eu proximamente vou falar com a presidente Delcy. Eu espero que ela consiga dar conta do recado”, declarou.
O chefe do Executivo brasileiro afirmou ainda que espera uma postura de respeito à soberania venezuelana por parte dos Estados Unidos. “É importante que o presidente Trump permita que a Venezuela possa cuidar da sua soberania, cuidar dos interesses democráticos da Venezuela e vamos ver o que que vai acontecer. Está tudo muito recente e eu acho que nós temos que ter um pouco de paciência porque quem vai encontrar uma solução para o povo da Venezuela é o próprio povo venezuelano”, disse.
O presidente também ressaltou que tem mantido diálogo frequente com diferentes líderes internacionais em defesa do multilateralismo. Ele citou conversas recentes com o presidente da França, Emmanuel Macron, com o presidente do Chile, Gabriel Boric, além do próprio Trump, como parte de uma estratégia de articulação diante do cenário global de incertezas.

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