ARTICULAÇÃO

Dança das cadeiras: ministros estudam troca de partidos para eleições

Ministros do governo Lula têm intensificado conversas com outros partidos em preparação para o pleito de outubro, especialmente ao Senado Federal

Enquanto uma das poucas certezas para as eleições deste ano será a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda há dúvidas sobre se seus ministros de Estado vão continuar em seus respectivos partidos ou mudar de legenda para se candidatar. Ao todo, a expectativa é de que ao menos 20 titulares abandonem suas pastas até abril para concorrer no pleito de outubro.

A ministra do Meio Ambiente e da Mudança do Clima, Marina Silva (Rede-SP), é um dos nomes cotados para disputar a um cargo no Senado Federal por outro partido. Sua provável saída da Rede, legenda que fundou em 2013, pode ser explicada por divergências em relação à corrente comandada pela deputada federal Heloísa Helena (Rede-RJ). Em dezembro passado, segundo aliados de Marina, o grupo comandado por Heloísa protagonizou reformas negativas no estatuto da Rede Sustentabilidade.

"Trata-se da consolidação de um projeto de captura institucional, que verticaliza o partido, concentra poder na Executiva Nacional, enfraquece a autonomia de estados e municípios, reduz direitos dos filiados, discrimina mandatos e fragiliza a democracia interna", diz trecho de um manifesto assinado por Marina Silva e por outros filiados da sigla em crítica às mudanças no estatuto partidário.

A iminente saída da ministra ocorrerá ao passo que Marina conversa com ao menos três legendas: PSol, PSB e PT. Dentre eles, a ambientalista deve optar por uma legenda que lhe dê a possibilidade de se candidatar ao Senado no pleito deste ano.

Segundo interlocutores do Ministério do Meio Ambiente, o PSol, até o momento, foi o único partido a oferecer a candidatura ao Senado para Marina Silva. A opção pelo Casa Alta, avaliaram interlocutores da ministra, tem o objetivo de evitar "retrocessos" na agenda ambiental e fortalecer a pauta durante um eventual novo mandato de Lula. O movimento também beneficia o presidente, que tem o Senado como alvo prioritário para seus aliados neste ano, como resposta ao movimento similar articulado por bolsonaristas.

Para psolistas, a hipótese de ela entrar no PSol substituiria o peso do nome do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, no partido. O deputado federal aceitou convite de Lula para integrar o governo e deixou de lado os planos de concorrer nas eleições. As conversas entre PSol e Marina Silva têm tido, inclusive, a participação do próprio Boulos e de Juliano Medeiros, ex-presidente do partido.

Apenas um fato novo pode fazer com que a ministra recue da disputa ao Senado: se o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também se decidir pelo mesmo cargo. O destino de Haddad após sair da pasta, em fevereiro, porém, é incerto.

Do Turismo ao Senado

Outro que almeja novo partido para concorrer à Casa Alta neste ano é o ex-ministro do Turismo (MTur) Celso Sabino. Aliado de Lula no Pará, Sabino foi expulso do União Brasil, em dezembro, após descumprir a ordem da legenda para que todos os seus filiados deixassem o governo do presidente Lula. 

Ele, que comandava o MTur desde 2023, peitou a decisão do partido e continuou no ministério, destacando sua fidelidade a Lula, mas também tentando negociar sua permanência no União. Sua saída foi explicada por ele como gesto em prol da "governabilidade" de Lula e com o objetivo de construir sua corrida ao Senado. Questionado sobre para qual partido Sabino vai, ele se restringiu a falar que sua nova legenda terá de unir pautas como "desenvolvimento e progressismo". Entre os partidos que cogitam a filiação estão PSB, Republicanos e MDB, legenda do governador do Pará, Helder Barbalho.

Fufuca quer ficar no PP

Junto ao desembarque do União Brasil do governo Lula, o PP também anunciou sua saída dos ministérios do petista. Esse movimento ocorreu em meio à oficialização da Federação União Progressista, de oposição a Lula.

Enquanto Sabino foi expulso do partido presidido por Antônio Rueda, o mesmo não ocorreu com o ministro do Esporte, André Fufuca. A pena para ele, que continuou na pasta em um gesto a favor de Lula, e se manteve filiado ao PP, foi a saída do cargo de vice-presidente do diretório nacional do partido e do comando do diretório estadual no Maranhão, onde foi substituído pela deputada Amanda Gentil (PP-MA).

André Fufuca, neste ano, buscará uma candidatura ao Senado pelo seu partido. Ele, que em eventos já reafirmou publicamente sua lealdade ao presidente Lula, pode enfrentar divergências na sigla para desenvolver seus planos ao Senado. Uma mudança para o PSD, da senadora Eliziane Gama (PSD-MA), ou ao MDB, partido do governador do Maranhão, Carlos Brandão, podem ser caminhos alternativos para Fufuca.

Tabuleiro mineiro

Enquanto o PSD poderia ser um caminho para Fufuca pelo apoio de Eliziane Gama a Lula, o partido presidido nacionalmente por Gilberto Kassab promete se mostrar um entrave aos planos do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. 

Ele, que deve se candidatar a deputado federal ou mesmo como representante de Lula ao governo de Minas Gerais, verá seu partido lançando o atual vice-governador de Minas, Matheus Simões, para o Palácio da Liberdade. 

Ferrenho opositor de Lula e próximo ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Simões promete manter o legado do atual governador Romeu Zema (Novo). Caso opte pela saída do PSD, Silveira pode migrar para partidos como PSB e MDB.

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