PROTESTO

Carlos Bolsonaro se junta a Nikolas em caminhada até Brasília

O ex-vereador chegou ao ato político nesta terça e reforça mobilização ligada ao bolsonarismo após a prisão do ex-presidente

A chegada de Carlos Bolsonaro (PL-RJ) na “caminhada até Brasília” ocorreu nesta terça-feira (20/1) e foi registrada por Nikolas Ferreira (PL-MG) nas redes sociais. O deputado compartilhou um vídeo do encontro — filmado por volta das 9h30 após passarem pela divisa entre Minas Gerais e Goiás —, no qual aparece abraçando o ex-vereador. “Pelo seu pai (Jair Bolsonaro), pelos presos do dia 8, por esse país. Apruma esse pé que tem muito quilômetro ainda”, declarou Nikolas.

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Além de Carlos, o senador Flávio Bolsonaro também aderiu ao movimento, mesmo que à distância. Ele explicou, em vídeo publicado no Instagram, a ausência na caminhada convocada por Nikolas após uma videochamada entre os dois, atribuindo a falta às condições climáticas e a uma viagem previamente marcada a Israel. “A gente tem que fazer nossa parte. O que não está no nosso controle deixa Deus agir”, afirmou. A mobilização, que prevê um trajeto entre Paracatu (MG) e Brasília, integra as tentativas do grupo ligado a Jair Bolsonaro de reativar a base eleitoral após a prisão do ex-presidente.

O anúncio da mobilização havia sido feito um dia antes. Na manhã de segunda-feira (19/1), após cumprir uma agenda em Minas Gerais, Nikolas divulgou um vídeo informando que faria uma “caminhada até Brasília” como forma de protesto político. A gravação foi feita pouco antes do início do trajeto, quando o parlamentar afirmou ter desistido de retornar para casa. “Vamos para cima”, disse.

A caminhada começou pela BR-040 e prevê um percurso de aproximadamente 240km, a ser cumprido ao longo de sete dias. A expectativa do deputado é chegar à capital federal no domingo, encontrando apoiadores ao longo do caminho.

No vídeo em que anuncia a decisão, Nikolas relata sentir uma inquietação persistente diante do que avalia como o atual cenário político do país. Segundo ele, a sucessão de “escândalos” teria levado à naturalização de fatos que, em sua visão, deveriam provocar maior indignação social.

“Terminei uma agenda em Minas. Confesso para vocês, ia voltar para casa. Mas, durante muito tempo meu coração tem ficado inquieto diante das coisas que estão acontecendo. Escândalo atrás de escândalo. O brasileiro tem ficado em uma posição, quase uma manipulação psicológica, onde nada abala mais a gente. O sentimento é de impotência, diante das prisões injustas de manifestantes do 8 de janeiro, do próprio presidente Bolsonaro, em relação aos escândalos, do governo e do STF”, afirmou.

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O deputado voltou a mencionar o que chama de “prisões injustas” relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, citou a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e fez críticas diretas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Esse sentimento de impotência não é só de vocês. É um sentimento nosso também”, disse Nikolas, ao afirmar que outros deputados e senadores compartilhariam da mesma avaliação sobre o momento político.

Ao longo do discurso, ele também fez referência às mobilizações populares que antecederam o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, e afirmou não subestimar o “poder da rua”. “Sobrou a nossa voz. Se Deus me entregou isso, eu vou ser essa voz”, declarou.

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