
Algumas autoridades dos Três Poderes, amigos e parentes se despediram, ontem, do ex-ministro Raul Jungmann, no cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. Ele morreu no domingo, aos 73 anos, em Brasília, em decorrência de complicações de um câncer no pâncreas. A cerimônia seguiu o desejo dele por um rito reservado, e o corpo foi cremado em seguida. A morte foi confirmada na noite de domingo pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entidade que o político presidia há três anos.
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Parentes lembraram a dedicação ao diálogo e à mediação entre posições distintas. "Meu pai deixa um legado gigante para este país. Enquanto família, temos orgulho da trajetória e do exemplo", disse Julia Jungmann, ao lado do irmão Bruno Jungmann, destacando a defesa permanente da conversa entre diferentes como método de construção pública.
Segundo ela, o ex-ministro acreditava na construção de soluções a partir da conversa entre diferentes visões. "Ele dialogava com militares, esquerda, direita, centro, indígenas e empresários, porque acreditava que, nas diferenças, é possível encontrar caminhos para um Brasil mais justo", afirmou.
Bruno Jungmann ressaltou que, antes de qualquer função pública, o pai foi um brasileiro comprometido com o país. "Foi um político incansável, sempre pensando em várias formas de construir um Brasil melhor", declarou.
Bruno destacou que o ex-ministro mantinha relação próxima com jornalistas e fazia questão de esclarecer decisões e posições. "Falava com todos os lados, sempre aberto ao diálogo". O filho de Jungmann lembrou a forma como o pai enfrentou os desafios da vida.
"A coragem é uma das melhores palavras para definir o meu pai, inclusive nos momentos finais", disse. Para ele, as homenagens vindas de pessoas com diferentes pensamentos mostram o alcance da trajetória de Raul Jungmann, marcada pelo compromisso público e pelos valores familiares.
Os colegas de trabalho e amigos recordam episódios da convivência profissional e ressaltaram que a capacidade de sentar à mesa com diferentes setores foi uma marca permanente de sua atuação. Representantes do Ibram lembraram a condução institucional de Jungmann à frente da entidade, destacando o esforço para ampliar o diálogo entre o setor mineral, o poder público e as organizações ambientais.
A movimentação na despedida foi constante, com autoridades chegando em pequenos grupos para prestar as últimas homenagens. Militares das três Forças Armadas acompanharam o velório, em referência ao período em que Jungmann comandou o Ministério da Defesa e manteve interlocução direta com os comandos militares.
Homenagens
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo manifestou pesar e destacou a interlocução com o setor produtivo. Jungmann deixa filhos, netos e uma trajetória marcada por passagens sucessivas pelo Executivo e pelo Legislativo, além de atuação institucional no setor privado, sempre associada à construção de consensos.
Em nota, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) informou que a cerimônia seguiu o desejo do dirigente e ressaltou a atuação ao longo de mais de cinco décadas. Nas redes sociais, autoridades registraram homenagens. Para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes também recordou o papel exercido por Jungmann à frente do Ministério da Defesa e, posteriormente, do Ministério da Segurança Pública. Segundo o decano, o ex-ministro tinha domínio técnico sobre os temas estratégicos do país.
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"Todas as vezes que o ouvíamos falar sobre defesa ou segurança pública, ele sabia exatamente do que estava tratando. Alertava, por exemplo, que os presídios haviam se tornado escritórios do crime", disse. Gilmar Mendes destacou como a atuação de Jungmann no governo de Michel Temer e a condução da intervenção federal no Rio de Janeiro evidenciaram a capacidade de liderança em cenários complexos."Tenho profunda admiração. Acho que é um dos maiores homens públicos que o Brasil produziu", acrescentou.
* Estagiária sob a supervisão de Luana Patriolino

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