O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem consultado aliados para decidir se participa do Conselho de Paz, criado na quinta-feira pelos Estados Unidos para mediar o conflito entre Israel e Hamas e supervisionar a reconstrução da devastada Faixa de Gaza.
<p><strong><a href="https://whatsapp.com/channel/0029VaB1U9a002T64ex1Sy2w">Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular</a></strong></p>
A criação do grupo faz parte da estratégia do cessar-fogo do conflito, mediado pelos EUA, em setembro do ano passado. Além do Brasil, países como Argentina, Canadá, Índia, Turquia e Itália foram convidados pelo presidente dos EUA, Donald Trump, a integrar o conselho.
Segundo fontes do Ministério das Relações Exteriores, o Brasil tem discutido com país aliados que também foram convidados a integrar o grupo. Interlocutores do Itamaraty afirmaram, porém, não saber quais chefes de Estado Lula já contatou. Segundo o Planalto, o presidente fez ligações para três líderes entre quarta-feira e quinta-feira.
Também convidada, a Índia manteve conversas com o Brasil nessa quinta-feira. Lula telefonou para o primeiro-ministro Narendra Modi, e os dois discutiram sobre a situação em Gaza.
Ambos defenderam uma reforma ampla da Organização das Nações Unidas (ONU) e de seu Conselho de Segurança. Até o momento, a Índia também não se manifestou sobre a participação no Conselho de Paz.
- Trump assina carta de criação do Conselho de paz e fala sobre guerras
- Enquanto Brasil fica em silêncio, mais sete países aceitam entrar no Conselho de Gaza de Trump
- Trump confirma convite a Putin para integrar o 'Conselho de Paz'
Ainda nessa quinta-feira, Lula conversou por telefone com o líder da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas. O presidente brasileiro discutiu os cenários sobre Gaza após o cessar-fogo do conflito entre Israel e Hamas. E destacou pontos cruciais como a soberania da Palestina na perspectiva de reconstrução de Gaza. Esse objetivo também vem sendo proposto por Donald Trump, porém sob uma perspectiva comercial.
Para o republicano, Gaza teria um potencial mercadológico no ramo imobiliário. Segundo ele, a região devastada por causa da guerra entre Israel e Hamas pode se assemelhar a uma "bela propriedade à beira-mar". Ele, inclusive, apresentou um projeto de US$ 25 bilhões que inclui a construção de 180 arranha-céus, resorts e complexos industriais.
"Sou um profissional do ramo imobiliário de coração, e tudo se resume à localização. Eu disse: olhem para este local à beira-mar, olhem para esta bela propriedade", disse Trump, nessa quinta-feira, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
Divergência
Outro ponto de divergência entre Lula e Trump diz respeito ao Conselho de Paz vir a substituir o Conselho de Segurança da ONU. Enquanto o grupo criado pelo americano atuaria sob o comando vitalício dele, a Organização das Nações Unidas opera de forma cooperativa e estaria, de acordo com os discursos de Lula, em prol do multilateralismo.
"Quando esse conselho (de Paz) estiver completamente formado, poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos. E faremos isso em conjunto com as Nações Unidas", afirmou Trump, em Davos.
Saiba Mais
-
Política Fachin defende o STF e diz que eventuais irregularidades processuais do caso Master serão examinadas
-
Política Master: Gilmar elogia arquivamento da PGR em pedido para afastar Toffoli
-
Política Petistas acionam PRF para suspender caminhada de Nikolas Ferreira
-
Política Moraes arquiva investigação sobre delegados da PF nas eleições de 2022
-
Política Congresso promete acelerar trâmite do acordo Mercosul-UE, diz Nelsinho Trad
