O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta sexta-feira (23/1) que permanecerá à frente do Palácio dos Bandeirantes e que apoiará o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Palácio do Planalto. A declaração ocorre em meio às especulações sobre seu papel no xadrez eleitoral da direita e após o adiamento de uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
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“Sempre falei do meu carinho, da minha lealdade, ao presidente Bolsonaro e dizia: ‘O meu candidato é o Bolsonaro ou quem ele indicar’. Ele indicou o Flávio. Então, quem é o meu nome a partir de agora? É o Flávio Bolsonaro”, afirmou o governador. Na sequência, Tarcísio afastou qualquer hipótese de renúncia ao cargo para disputar outro posto. “O que vai acontecer em abril? Nada. Vou continuar tocando o barco, não vou apresentar carta de renúncia, não vou me descompatibilizar, focarei num projeto de longo prazo em São Paulo e ajudarei o Flávio nessa caminhada”, completou.
As declarações foram feitas um dia após Tarcísio se manifestar publicamente, pela primeira vez, sobre o cancelamento de uma visita que faria a Jair Bolsonaro na quinta-feira (22). O adiamento do encontro, autorizado previamente pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), alimentou interpretações de que haveria tensões entre o governador e o núcleo familiar do ex-presidente, em especial no contexto da definição do nome da direita para a eleição presidencial.
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Em público, o governador reiterou que o cancelamento ocorreu por razões administrativas. O “cancelamento [foi] uma questão de agenda. Quando você marca uma visita, o tribunal estabelece uma data. Pode acontecer que aquela data não seja possível por uma razão qualquer. Na quinta-feira da semana que vem, estarei lá para dar um abraço no meu amigo”, disse.
Na quinta-feira (22), Moraes autorizou uma nova visita de Tarcísio a Bolsonaro, marcada para o próximo dia 29. O gesto é visto por aliados como uma tentativa de reduzir ruídos e reequilibrar a relação política em um momento de reorganização do bolsonarismo, pressionado a apresentar coesão diante das disputas internas e da antecipação do calendário eleitoral.
