Congresso

Líder do PT defende fim de penduricalhos e debate aberto sobre teto salarial

Pedro Uczai critica supersalários no serviço público e diz ser pessoalmente contra qualquer pagamento acima do teto constitucional

"Quando você permite extrateto, você aumenta a desigualdade na área pública e também na relação com o setor privado", diz petista - (crédito: Wal Lima/CB/DA.Press)

O novo líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), defendeu nesta terça-feira (4/2) o fim dos chamados “penduricalhos”, que permitem remunerações acima do teto constitucional no serviço público, e afirmou ser pessoalmente contra qualquer tipo de pagamento extrateto. Para o parlamentar, a existência de supersalários aprofunda desigualdades e revela a dificuldade do Congresso e do governo em enfrentar o debate de forma transparente com a sociedade.

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“Eu, pessoalmente, sou contra qualquer extrateto. Quando você permite isso, você aumenta a desigualdade na área pública e também na relação com o setor privado”, afirmou Uczai, em entrevista coletiva. Segundo ele, a multiplicação de adicionais e gratificações é uma forma de contornar um teto salarial que deixou de ser enfrentado politicamente. “O problema não é o teto. O problema são os penduricalhos que vamos criando para substituir um teto que aparentemente se tornou insustentável”, disse.

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O líder petista defendeu que a discussão seja feita de maneira aberta e ética, inclusive com a possibilidade de revisão do valor do teto constitucional, hoje em torno de R$ 46 mil. “Se a sociedade entender que o teto deve ser maior, que isso seja debatido democraticamente. O que não dá é fingir que o teto existe e criar mecanismos para burlá-lo”, criticou.

Uczai comentou ainda a aprovação do reajuste médio de 8% para os servidores da Câmara e do Senado, pauta que gerou controvérsia após a inclusão de dispositivos que podem permitir que ao menos 70 servidores ultrapassem o teto constitucional. Segundo ele, a bancada do PT apoiou o reajuste por recompor perdas inflacionárias, mas impôs limites claros à ampliação dos benefícios.

“Quando tentaram estender essa possibilidade para mais 200 cargos, eu, como líder da bancada, não assinei o acordo. Sem a assinatura da liderança do PT, isso não prosperou”, afirmou. De acordo com Uczai, o aval do partido ficou restrito a um grupo específico de servidores que já estavam há muitos anos no teto, e mesmo assim dentro de um limite considerado aceitável pela bancada.

Veto presidencial

Sobre a possibilidade de veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos trechos que tratam do extrateto, o líder afirmou que o tema é de interesse público e que o presidente deve ouvir o Congresso antes de tomar uma decisão. “É um debate sensível, mas necessário”, avaliou.

Durante a coletiva, Uczai também destacou que a redução da jornada de trabalho será a prioridade número um da bancada petista neste ano. Para ele, a pauta não é apenas social, mas econômica, com impacto direto na produtividade e na saúde dos trabalhadores.

“O povo brasileiro clama por tempo para viver e tempo para trabalhar. Isso melhora a produtividade, reduz doenças, diminui custos para o SUS e melhora a qualidade de vida”, afirmou. O parlamentar defendeu que o governo assuma a liderança do tema e, se possível, envie uma proposta com urgência constitucional.

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Por Wal Lima
postado em 04/02/2026 17:32 / atualizado em 04/02/2026 17:35
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