
Uma mala com R$ 429 mil em dinheiro foi arremessada pela janela de um apartamento em Balneário Camboriú (SC), durante a operação Operação Barco de Papel, da Polícia Federal (PF), que ninvestiga crimes relacionados ao Banco Master e à gestão de recursos do Rioprevidência — Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro, autarquia que administra aposentadorias e pensões do funcionalismo fluminense e de seus dependentes. O nome da pessoa que tentou se livrar do dinheiro vivo não foi divuilgado, mas o montante foi recuperado. Na operação, os agentes também apreenderam dois veículos de luxo e dois celulares.
O ocupante do imóvel do qual foi jogada a mala tem ligação com Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, que está preso. As ordens judiciais foram expedidas pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, com base em indícios de obstrução de investigações e ocultação de provas. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Balneário Camboriú e Itapema, também em Santa Catarina, com apoio da delegacia de PF em Itajaí.
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A Barco de Papel investiga nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, nas quais o Rioprevidência aplicou cerca de R$ 970 milhões em Letras Financeiras emitidas pelo Master. Segundo a PF, os crimes sob apuração incluem gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução em erro de repartição pública, fraude à fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva.
O ex-presidente da Rioprevidência teve a prisão temporária convertida em preventiva, ontem, pela Justiça Federal. Deivis permanece detido no Presídio José Frederico Marques, em Benfica — na Zona Norte do Rio de Janeiro —, desde sua prisão, em 3 de fevereiro, durante a segunda fase da operação, conforme informações da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária.
Prisões
Na primeira fase da Barco de Papel, realizada em 23 de janeiro, o apartamento de Deivis foi alvo de busca e apreensão. Foram detectadas "movimentações suspeitas de retirada de documentos", manipulação de provas digitais e a transferência de dois veículos de luxo para terceiros. Na segunda fase, os gêmeos Rodrigo e Rafael Schmitz — que ajudaram o ex-presidente do Rioprevidência a obstruir as investrigações, segundo a PF — foram presos.
O Banco Central (BC) determinou a liquidação do Master em 19 de novembro de 2025. Apesar do encerramento das atividades do banco, o Rioprevidência informou que os pagamentos a aposentados e pensionistas estavam garantidos. Os investimentos no banco de Daniel Vorcaro foram feitos entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2034.
Ao todo, 18 entes da Federação aplicaram recursos de seus Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) em letras financeiras emitidas pelo Master. O total chega a R$ 1,86 bilhão. Entre esses fundos, pelo menos oito apresentam deficits financeiros — entre os maiores estão o Amazonprev, do estado do Amazonas, com R$ 751,1 milhões de prejuízo nas contribuições de servidores civis; o Amprev, do Amapá, com R$ 394,9 milhões entre contribuições de servidores militares; Maceió Previdência, com R$ 299,4 milhões; e o Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande, com R$ 124,8 milhões.

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