
O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) afirmou, nesta terça-feira (10/2), durante depoimento ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, que ele e os outros parlamentares bolsonaristas envolvidos na ocupação da Mesa Diretora da Casa, em agosto de 2025, deveriam receber “uma medalha” pelo episódio. A declaração foi feita durante depoimento ao Conselho de Ética, que analisa se o processo pode resultar na suspensão temporária de seu mandato.
Ao ser questionado pelo deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) sobre o que espera da análise do caso, caso “seja feita justiça”, Zé Trovão disse esperar o arquivamento das denúncias e criticou as acusações. “Espero que, se for feita justiça nesse caso, que esse processo se encerre de maneira a arquivar todas as denúncias, que são fantasiosas, contra nós. E deveriam nos dar uma medalha. Não por honrar a política, mas por honrar quem elege os políticos”, respondeu.
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A ocupação da Mesa Diretora ocorreu durante um protesto de parlamentares apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e resultou na paralisação dos trabalhos no plenário. À época, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), enfrentou resistência para reassumir o comando da sessão. O trajeto entre o gabinete e a cadeira da presidência levou mais de seis minutos, em meio à confusão.
Segundo relatos, Zé Trovão chegou a bloquear a passagem de Motta com a perna, enquanto Marcel van Hattem e Marcos Pollon (PL-MS) se recusaram a deixar a Mesa Diretora quando o presidente se aproximou.
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O Conselho de Ética abriu quatro representações sobre o caso em outubro do ano passado. Pollon responde a dois processos e pode ser afastado por até 90 dias. Já Zé Trovão e van Hattem estão sujeitos a uma suspensão de 30 dias, conforme recomendação da Corregedoria da Câmara.
Durante o depoimento, Zé Trovão classificou como “completamente injusto” o fato de apenas três deputados terem sido formalmente denunciados. Segundo ele, mais de 70 parlamentares participaram da ação. “Era para ter oitiva de mais de 70 parlamentares. Não fomos só nós. Nós fomos arrancados a dedo”, afirmou.
O deputado também usou a expressão “boi de piranha” para dizer que ele e os colegas estariam sendo usados como exemplo. “Já ouviu falar de boi de piranha? Quando não se pode criminalizar a todos, pegue um e joga na cadeia e deixa apodrecer, que você resolve o problema dos outros. É só para servir de exemplo. Eles querem nos fazer de exemplo para alguma coisa”, declarou.

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