O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (4/2), que a luta contra a violência de gênero precisa ultrapassar as instituições públicas e se tornar um compromisso coletivo, com papel central dos homens na transformação cultural necessária para conter os crimes. A afirmação foi feita durante o lançamento do Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio.
“O pacto que assinamos hoje deve ir além das instâncias do Executivo, Legislativo e Judiciário. Lutar contra o feminicídio deve ser responsabilidade de toda a sociedade. Mas, principalmente, e especialmente, dos homens”, declarou.
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O presidente destacou que não basta deixar de ser agressor — é preciso agir para impedir novas violências. Segundo ele, cada homem tem “uma missão a cumprir”, que passa por dialogar com familiares, amigos e colegas para combater comportamentos machistas.
Lula também afirmou que o governo pretende aprimorar instrumentos de proteção, prevenção e acolhimento às vítimas, mas reforçou que a mudança estrutural depende da desconstrução da cultura que naturaliza a violência. “Vamos desconstruir tijolo por tijolo essa cultura machista que nos envergonha a todos”, disse.
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No discurso, o presidente defendeu punição rigorosa aos agressores, aliada a políticas educativas voltadas a meninos, jovens e adultos para conscientizar sobre a gravidade dos crimes. Ele enfatizou que “nada, absolutamente nada, justifica qualquer forma de violência contra meninas e mulheres — na vida real ou na vida digital”.
Lula ressaltou que o ambiente doméstico ainda concentra grande parte dos casos e que muitas vítimas são assassinadas por parceiros ou ex-parceiros, embora ataques também ocorram nas ruas. Para ele, a ascensão feminina a cargos de liderança também provoca reações violentas de homens que não aceitam ser chefiados.
“As mulheres estão conquistando cada vez mais espaço de liderança no mercado de trabalho. E vão conquistar ainda mais, por justiça e por merecimento. Porque o lugar da mulher é onde ela quiser estar”, afirmou.
O presidente classificou como “inadmissível” que, mesmo com o fortalecimento de leis como a Maria da Penha e a do Feminicídio, os crimes continuem ocorrendo. Ele lembrou que argumentos como a “defesa da honra” já foram usados para justificar agressões e criticou o fato de o ciúme ainda aparecer nas estratégias de defesa de assassinos. Outro ponto de alerta foi o papel das plataformas digitais. Lula afirmou que parte das redes tem difundido conteúdos que incentivam o ódio contra mulheres e cobrou maior responsabilidade para impedir crimes, abusos e a indução de meninas à automutilação e ao suicídio.
Para o presidente, garantir a segurança feminina é essencial para o avanço social e democrático do país. “Precisamos fazer com que as mulheres se sintam protegidas, livres e seguras — na internet, no ambiente doméstico, nas ruas, nos locais de trabalho, em qualquer lugar, a qualquer hora”, disse. Ao encerrar, Lula reconheceu o sentimento de desesperança diante da violência, mas defendeu que a mobilização coletiva pode reverter o cenário. “Somos muitos. E fomos feitos para o amor, não para o ódio”, afirmou, conclamando a sociedade a agir: “Mãos à obra.”
